Preços Agropecuários

Trigo mantém preços firmes no Brasil com oferta restrita, enquanto Chicago recua após dados de área nos EUA

Mercado interno segue sustentado no Sul, enquanto cotações internacionais passam por ajustes após relatório do USDA


Publicado em: 01/04/2026 às 11:20hs

Trigo mantém preços firmes no Brasil com oferta restrita, enquanto Chicago recua após dados de área nos EUA

O mercado de trigo apresenta um cenário misto entre o Brasil e o exterior. Enquanto os preços seguem firmes no Sul do país, sustentados pela oferta restrita e pela demanda ativa, as cotações internacionais registram queda na abertura desta quarta-feira, refletindo ajustes técnicos após dados recentes sobre a área plantada nos Estados Unidos.

Preços do trigo seguem firmes no Sul do Brasil

No mercado interno, especialmente na região Sul, os preços do trigo continuam sustentados. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário é de consolidação das altas, com compradores mais dispostos a elevar suas ofertas, enquanto vendedores mantêm pedidas firmes diante da menor disponibilidade do cereal.

A restrição na oferta em algumas regiões e a ausência momentânea de trigo importado contribuem para esse movimento de valorização.

Rio Grande do Sul registra avanço nas negociações

No Rio Grande do Sul, o mercado mostra maior dinamismo nas negociações. Compradores indicam valores entre R$ 1.200 e R$ 1.250 por tonelada no interior, dependendo da qualidade e localização, para embarques em maio.

Já os vendedores pedem entre R$ 1.250 e R$ 1.350 por tonelada. A falta recente de trigo argentino no mercado reforça a sustentação dos preços, embora haja expectativa de chegada de um carregamento de trigo uruguaio em Porto Alegre.

No mercado ao produtor, o preço subiu para R$ 57,00 por saca em Panambi.

Santa Catarina e Paraná apresentam mercado ajustado

Em Santa Catarina, o abastecimento depende majoritariamente do trigo gaúcho, com preços ao redor de R$ 1.200 por tonelada, acrescidos de frete e ICMS. O produto local, com menor disponibilidade, gira próximo de R$ 1.300 CIF.

Os valores pagos aos produtores variam entre R$ 59,00 e R$ 67,00 por saca, com destaque para alta em Xanxerê e estabilidade em outras regiões.

Já no Paraná, o mercado apresenta menor movimentação, mas com elevação nas pedidas. No norte do estado, os preços variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, com negociações ocorrendo até R$ 1.380 CIF.

Nos Campos Gerais, as indicações giram próximas de R$ 1.300. A menor atividade está relacionada ao foco dos produtores na colheita de soja e milho. Além disso, a expectativa de redução de 6% na área plantada e de 12% na produção em 2026 reforça a tendência de preços sustentados.

No mercado externo, há ausência de ofertas de trigo argentino, com presença apenas de produto paraguaio cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto Ponta Grossa.

Trigo recua em Chicago após dados de área plantada nos EUA

No cenário internacional, o trigo iniciou o dia em queda na Chicago Board of Trade.

Os principais contratos apresentaram recuo na abertura:

  • Maio/2026: US$ 6,05 por bushel, queda de 1,83%
  • Julho/2026: US$ 6,16/bu, em baixa
  • Setembro/2026: US$ 6,28/bu, também em queda

O movimento reflete um ajuste técnico após ganhos recentes, com investidores reposicionando suas carteiras diante de novas informações do mercado.

Relatório indica menor área plantada nos Estados Unidos

Dados recentes divulgados pelo USDA apontam redução na área destinada ao trigo nos Estados Unidos.

A área de trigo de inverno foi estimada em 32,41 milhões de acres, ficando abaixo tanto do relatório anterior quanto do registrado no ano passado. Já a área total projetada para 2026 é a menor desde o início da série histórica.

A redução da área plantada sinaliza possível aperto na oferta futura, fator que inicialmente sustentou os preços no fechamento anterior.

Mercado global segue volátil com foco em oferta e clima

Apesar do suporte fundamental vindo da menor área plantada, o mercado internacional apresenta volatilidade no curto prazo, com oscilações técnicas após altas recentes.

Além disso, as condições climáticas nos Estados Unidos seguem no radar dos investidores, podendo impactar diretamente o desenvolvimento das lavouras e, consequentemente, a oferta global.

Perspectivas para o trigo

O cenário atual indica uma combinação de fatores que sustentam os preços no Brasil, como oferta restrita e demanda ativa, enquanto no exterior o mercado segue sensível a ajustes técnicos e aos fundamentos de oferta.

A redução da área plantada nos Estados Unidos, aliada aos riscos climáticos, mantém o viés de atenção no mercado global, podendo influenciar o equilíbrio entre oferta e demanda ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --