Publicado em: 07/01/2026 às 11:40hs
O mercado brasileiro de arroz atravessou um ano desafiador em 2025. A combinação entre alta oferta nacional, estoques globais elevados e baixa demanda — tanto interna quanto externa — provocou uma forte queda nos preços do cereal.
De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o preço do arroz em casca caiu a níveis não vistos desde 2011, refletindo o impacto direto da supersafra 2024/25 e da desaceleração no consumo.
O ciclo 2024/25 foi marcado pelo efeito dos valores recordes registrados em 2024, quando os produtores alcançaram uma das maiores margens de rentabilidade da história recente. Esse cenário estimulou uma expansão moderada da área plantada e o reforço dos investimentos em tecnologia e manejo nas lavouras.
Com o clima favorável desde o início da semeadura, as principais regiões produtoras — especialmente no Sul do País — apresentaram elevada produtividade, contribuindo para o expressivo crescimento da produção.
Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2024/25 deve alcançar 12,76 milhões de toneladas, o que representa alta de 20,6% em relação ao ciclo anterior (2023/24).
Esse aumento expressivo na produção, aliado ao enfraquecimento da demanda, gerou dificuldades no escoamento do arroz beneficiado pelas indústrias e reduziu o ritmo de compras no varejo, diante da resistência do consumidor e da queda dos preços ao longo da cadeia.
O Indicador CEPEA/IRGA-RS — que considera arroz com 58% de grãos inteiros e pagamento à vista — apresentou quedas sucessivas ao longo de 2025. A média anual ficou em R$ 71,84 por saca de 50 kg, uma redução de 53,2% em relação à média de 2024.
Em termos reais, considerando a correção pelo IGP-DI, o valor do arroz em casca atingiu o menor patamar desde junho de 2011, evidenciando a forte pressão do mercado sobre os preços e a necessidade de equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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