Preços Agropecuários

Produtores reclamam de preço do frango pago por integradoras no PR

Criadores da região de Maringá recebem R$ 0,65 por ave entregue para abate. Preço está congelado há 2 anos. Produtores fazem pedido de R$ 1 por frango


Publicado em: 17/03/2016 às 19:00hs

Produtores reclamam de preço do frango pago por integradoras no PR

Depois de várias reuniões, produtores de frango do noroeste do Paraná aguardam para hoje resposta de um abatedouro sobre a solicitação de aumento no preço do frango entregue para abate. Caso a empresa não se manifeste ou apresente proposta abaixo do valor pedido, os criadores pretendem adotar formas de pressionar a indústria.

Atualmente, na região de Maringá, eles recebem entre R$ 0,65 e R$ 0,70 por ave, o mesmo que ganhavam 2 anos atrás, mas em outras regiões do Estado tem produtor entregando frango a R$ 0,55, o que dá cerca de R$ 0,20 o quilo. "A situação chegou a um ponto que muitos produtores não estão sequer conseguindo pagar o financiamento que fizeram para a construção de granjas", disse o criador Sidney Franchetti. "Todos os custos da criação subiram, mas há 2 anos que recebemos os mesmos valores dos abatedouros."

Os avicultores dizem que a situação atinge somente os que participam de sistemas de integração e eles ficam sem a alternativa de procurarem outro abatedouro por questões contratuais. Outras empresas chegam a pagar até R$ 0,20 a mais por ave e os abatedouros ligados a cooperativas, como é o caso de alguns da região sudoeste do Paraná, pagam "um valor mais justo".

Segundo os produtores, os integrados estão sofrendo em todo o Brasil, apesar de as empresas terem sido beneficiadas nos últimos meses com a redução dos custos da ração que entregam aos granjeiros devido às aquisições feitas em preços vantajosos de soja e milho, os dois componentes que correspondem a 70% do custo da ração. Também a elevação do dólar assegurou melhores resultados nas vendas para o exterior. "São ganhos que as integradoras tiveram, mas não repassam para o criador", disse o presidente da Associação dos Avicultores do Oeste do Paraná, Luiz Bernartt.

"Colocando na ponta do lápis, vemos que a situação para o criador está muito complicada", diz o avicultor Valmor Ceratto, que é também administrador e consultor avícola e está à frente das negociações com um dos principais frigoríficos integradores do noroeste do Paraná. "Nestes anos em que não tivemos aumento no frango que entregamos, todos os elementos que compõem o custo da criação aumentaram e alguns subiram muito, como são os casos da energia elétrica e combustíveis."

Quando fala em colocar "na ponta do lápis", Ceratto se refere à forma que ele conduz seus negócios, tabulando os valores de tudo que comprou nos últimos anos. "Até máscaras e luvas utilizadas pelo pessoal que trabalha nos barracões tiveram altas consideráveis nos preços, o salário dos trabalhadores sobe a cada ano, os combustíveis, equipamentos e até impostos têm aumentos, mas o que recebemos por frango que engordamos continua o mesmo valor de 2 anos atrás e, deste jeito, além de não sermos remunerados de forma justa, vamos pagar para trabalhar."

Os produtores da região de Maringá querem que os integradores paguem pelo menos R$ 1 por ave entregue, o que, segundo eles, ainda não é um bom valor, mas pelo menos cobrirá os aumentos registrados nos insumos nos últimos dois anos. Movimentações semelhantes estão acontecendo em outros Estados.

Fonte: Diário de Maringá

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