Preços Agropecuários

Preço do leite volta a subir após nove meses de queda e sinaliza recuperação gradual em 2026

Alta de 0,9% em janeiro indica início de recuperação no setor leiteiro, após retração prolongada; custos e importações ainda limitam avanço dos preços ao produtor


Publicado em: 03/03/2026 às 10:40hs

Preço do leite volta a subir após nove meses de queda e sinaliza recuperação gradual em 2026
Após nove meses de queda, valor do leite ao produtor reage

O preço do leite pago ao produtor apresentou reação em janeiro de 2026, após nove meses consecutivos de retração. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o valor médio nacional atingiu R$ 2,0216 por litro, representando uma alta de 0,9% em relação a dezembro de 2025. Apesar da recuperação, o preço ainda registra queda real de 26,9% frente a janeiro de 2025, considerando a inflação medida pelo IPCA.

Pesquisadores do Cepea apontam que o aumento foi impulsionado por ajustes pontuais na produção em diferentes regiões leiteiras. A demanda ainda não mostra força suficiente para puxar uma alta expressiva, mas o mercado já demonstra sinais de estabilização com leve tendência de valorização.

Custos sobem e pressionam margens do produtor

Mesmo com a leve recuperação no preço, os produtores continuam enfrentando margens apertadas. Em janeiro, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% na média nacional, segundo o Cepea.

A valorização do milho também limita o poder de compra no campo: foram necessários 33,56 litros de leite para comprar uma saca de 60 kg do grão — um recuo de 3,76% frente a dezembro, mas 15,2% acima da média dos últimos 12 meses.

Com o aumento dos custos e a rentabilidade menor, os investimentos na produção tendem a desacelerar, refletindo na capacidade de captação e na oferta total.

Captação de leite recua com efeito sazonal e menor produção

O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) apresentou retração de 3,6% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, puxada especialmente pelas regiões Sul e Sudeste, em especial São Paulo.

A redução da oferta é explicada por fatores sazonais e pela queda na rentabilidade, o que reduz o ritmo da produção e contribui para um equilíbrio mais ajustado entre oferta e demanda.

Indústria enfrenta dificuldades no repasse e consumo segue contido

Mesmo com a menor disponibilidade de matéria-prima, a indústria ainda enfrenta obstáculos para repassar aumentos de preços ao varejo, devido ao consumo doméstico enfraquecido. Segundo o Cepea, os mecanismos de reajuste permanecem travados, com a indústria operando sob forte pressão comercial.

O levantamento indica que, em janeiro, as médias de preços dos principais derivados apresentaram quedas reais:

  • Leite UHT: -1,44%
  • Muçarela: -1,49%
  • Leite em pó: -0,15%

Esses resultados refletem a dificuldade de absorção dos custos ao longo da cadeia produtiva.

Importações crescem e ajudam a conter o mercado interno

Outro fator de pressão veio do aumento das importações de lácteos, que cresceram 8% entre dezembro e janeiro, somando 178,53 milhões de litros em equivalente leite (EqL).

Mesmo com o avanço das exportações (+16,75%), que totalizaram 4,3 milhões de litros EqL, o saldo não foi suficiente para equilibrar o mercado. A entrada de produtos importados segue contribuindo para manter os preços internos sob controle.

Perspectivas para fevereiro: alta moderada e dependente do escoamento dos estoques

De acordo com o Cepea, o viés de alta tende a se manter ao longo de fevereiro, mas o movimento deverá ser lento e gradual. O avanço dos preços dependerá do ritmo de consumo e da redução dos estoques nas indústrias.

A expectativa é de que o setor caminhe para uma recuperação progressiva, ainda limitada por custos elevados e pelo cenário de demanda moderada no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

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