Publicado em: 24/04/2026 às 10:40hs
Os preços internacionais de alimentos registraram queda mais intensa que os domésticos no início de 2026. O índice global de alimentos e bebidas do FMI recuou 14,29% no primeiro trimestre frente ao mesmo período de 2025, pressionado pela maior oferta global e ajustes na demanda.
Esse movimento contribuiu para o enfraquecimento das cotações agrícolas em diversos países exportadores, incluindo o Brasil, ainda que com impactos mais moderados no mercado interno.
No Brasil, o Índice de Preços ao Produtor Agropecuário (IPPA/Cepea), calculado pelo Cepea/Esalq/USP, apresentou queda de 9,79% no primeiro trimestre de 2026 na comparação anual.
Apesar da retração relevante, pesquisadores destacam que o mercado doméstico mostrou maior resiliência frente ao cenário internacional. A valorização de 10,12% do real frente ao dólar também contribuiu para aliviar custos de produção, especialmente em insumos importados.
Além disso, os preços industriais registraram queda mais branda, de 2,55%, favorecendo o equilíbrio dos custos no campo.
A queda do IPPA/Cepea foi generalizada entre os principais grupos do agronegócio:
No segmento de grãos, todos os produtos registraram desvalorização no comparativo anual:
Já em hortifrutícolas, a forte queda da laranja (-55,8%) e do tomate (-4,3%) puxou o índice para baixo, apesar das altas da batata (+5,1%) e da banana (+23,1%).
Na pecuária, houve recuo nos preços de frango (-10,68%), suíno (-13,10%), leite (-22,97%) e ovos (-22,2%). Em contrapartida, a arroba bovina subiu 5,9%, amenizando perdas mais intensas no setor.
O conjunto desses indicadores evidencia um ambiente de preços mais baixos no campo, porém com fatores compensatórios importantes, como câmbio favorável e custos industriais controlados.
O recuo dos preços ao produtor agropecuário no início de 2026 reflete principalmente o ajuste das commodities agrícolas no mercado global. Ainda assim, o desempenho menos negativo do IPPA/Cepea em relação aos índices internacionais indica uma sustentação parcial dos preços no Brasil.
A valorização do real surge como fator-chave ao reduzir custos de insumos importados, o que pode preservar margens do produtor mesmo em um cenário de queda nas receitas.
Por outro lado, a pressão sobre produtos importantes — como arroz, milho, leite e café — acende alerta para a rentabilidade em diferentes cadeias produtivas ao longo do ano.
A tendência para os próximos meses dependerá da evolução da demanda global, do comportamento cambial e das condições climáticas, que seguem como variáveis decisivas para a formação de preços no agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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