Preços Agropecuários

Mercado do feijão inicia 2026 com oferta restrita e preços firmes em alta

Escassez de produto de qualidade e controle de vendas impulsionam cotações; produtores de feijão preto retomam rentabilidade após longo período de perdas


Publicado em: 30/01/2026 às 14:30hs

Mercado do feijão inicia 2026 com oferta restrita e preços firmes em alta
Feijão carioca mantém valorização com oferta limitada

O mercado do feijão carioca encerrou janeiro com preços firmes e movimento de oferta reduzida, consolidando um dos períodos mais valorizados da última década. A falta de produto de padrão superior, especialmente das notas 9 e 9,5, elevou o grão a patamares próximos de R$ 295 por saca CIF São Paulo, segundo o analista Evandro Oliveira, da Safras & Mercado.

De acordo com o especialista, o cenário é resultado de uma retenção estratégica por parte dos produtores, combinada à escassez de estoques e à absorção regional das colheitas em Minas Gerais. “O feijão se transformou em um ativo de alto valor. A tecnologia de escurecimento lento, que antes era diferencial, tornou-se essencial para garantir ágio de cerca de R$ 50 por saca em relação às variedades comuns”, explicou Oliveira.

Minas Gerais e interior paulista impulsionam as cotações

A qualidade do produto continuou sendo o principal fator na formação dos preços ao longo de janeiro. O padrão extra (nota 9,5) se manteve valorizado em São Paulo, enquanto as referências FOB avançaram em várias regiões do país.

No interior paulista, as cotações oscilaram entre R$ 278 e R$ 280 por saca, enquanto Minas Gerais registrou negócios pontuais entre R$ 260 e R$ 270. Já em Sorriso (MT), os preços ultrapassaram R$ 240 por saca, sinalizando a extensão do movimento altista em todo o território nacional.

Mesmo com o início da colheita mineira, grande parte do volume foi absorvida pelo mercado interno e pelo consumo do Nordeste, reduzindo a disponibilidade para os grandes centros e mantendo o poder de precificação nas mãos dos produtores.

“O mercado encerra janeiro operando em ambiente firme e dependente do comprador, com viés de alta até a entrada da segunda safra”, resume o analista.

Feijão preto volta a ser rentável e encerra ciclo de prejuízos

No mercado do feijão preto, janeiro representou uma virada significativa após um longo período de margens apertadas. A redução drástica da área plantada no Paraná, aliada à menor oferta no mercado externo, provocou reajuste técnico dos preços, que ultrapassaram R$ 210 por saca no atacado paulista.

“O produtor entendeu que a liquidez restrita exige estratégia. Hoje, quem retém seletivamente o produto e prioriza beneficiamento força a indústria a se adequar ao novo patamar de preços”, destacou Oliveira.

Nos estados produtores, o movimento foi consistente: o Paraná registrou preços entre R$ 170 e R$ 180 por saca FOB, Santa Catarina avançou para R$ 165, e o interior paulista e o Mato Grosso se aproximaram de R$ 195 por saca. No atacado, o intervalo entre R$ 200 e R$ 220 por saca CIF São Paulo consolidou-se como referência para o produto beneficiado.

A expectativa é que a entrada de grãos de melhor qualidade da primeira safra paranaense alivie pontualmente a indústria, mas sem alterar o cenário estrutural de preços sustentados.

Mercado interno ganha força com menor foco em exportações

Com as exportações perdendo espaço em 2026, o mercado doméstico volta a ser o principal vetor de equilíbrio para o setor. “O desafio daqui para frente é manter o equilíbrio entre preço e consumo. O feijão volta a ter valor estratégico, tanto na mesa do brasileiro quanto na pauta agrícola nacional”, conclui Oliveira.

Contexto econômico: estabilidade monetária e cenário global misto

O desempenho do mercado do feijão ocorre em um contexto de estabilidade monetária e volatilidade moderada no cenário financeiro global.

O Banco Central do Brasil manteve, em janeiro de 2026, a taxa Selic em 10,25% ao ano, sinalizando que deve continuar o ciclo gradual de cortes ao longo do primeiro semestre, à medida que a inflação segue dentro da meta. O IPCA acumulado em 12 meses está em 3,9%, dentro do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional.

Na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), o Ibovespa encerrou o mês com leve retração, aos 183 mil pontos, após semanas de recordes históricos. O dólar comercial operou em torno de R$ 5,19, refletindo ajustes de fluxo cambial e incertezas internacionais.

No exterior, bolsas americanas e europeias registraram comportamento misto: o Dow Jones avançou levemente, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq 100 mostraram estabilidade, com investidores avaliando políticas monetárias e perspectivas de crescimento global.

Perspectivas: produtores fortalecem estratégia de retenção

A análise geral do setor indica que feijão carioca e feijão preto seguem com tendência altista de curto prazo, sustentada pela combinação de estoques baixos, clima irregular e controle de oferta. Produtores devem manter a estratégia de comercialização gradual, aproveitando o ambiente de preços firmes até a consolidação da segunda safra.

“O mês de janeiro deixa claro que o produtor recuperou o poder de decisão. A gestão estratégica de oferta é hoje uma ferramenta tão importante quanto a produtividade no campo”, conclui Oliveira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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