Publicado em: 07/04/2026 às 19:20hs
As exportações brasileiras de milho apresentaram crescimento em março de 2026, mas o desempenho positivo no início do ano não afasta as preocupações do mercado para os próximos meses. Questões logísticas e incertezas sobre a demanda internacional, especialmente do Irã, acendem um sinal de alerta para a continuidade do programa exportador.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 983.029,2 toneladas de milho não moído (exceto milho doce) em março de 2026.
O volume representa um aumento de 12,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 871.297,9 toneladas.
Em termos de receita, o país arrecadou US$ 226,489 milhões no mês, alta de 8,2% frente aos US$ 209,332 milhões registrados em março do ano anterior.
Por outro lado, o preço médio por tonelada apresentou queda de 4,1%, passando de US$ 240,30 em março de 2025 para US$ 230,40 em março de 2026, refletindo um cenário de maior oferta e pressão nas cotações internacionais.
Segundo o analista Roberto Carlos Rafael, da Germinar Corretora, o desempenho das exportações no início de 2026 surpreendeu positivamente o mercado, com volumes superiores aos observados em anos anteriores.
Parte desse resultado é atribuída aos embarques provenientes do Rio Grande do Sul, que tradicionalmente exporta milho neste período, mas que neste ano apresentou volumes mais elevados.
Apesar do bom desempenho em março, a expectativa é de desaceleração nas exportações no curto prazo.
A tendência é de redução significativa dos embarques nos próximos meses, com retomada mais consistente apenas a partir de junho ou julho, quando entra no mercado a oferta da segunda safra.
Diante desse cenário, o comportamento da demanda internacional será determinante para o desempenho das exportações brasileiras ao longo do ano.
Um dos principais pontos de atenção é a demanda do Irã, que foi o maior comprador do milho brasileiro em 2025, adquirindo cerca de 10 milhões de toneladas.
Para 2026, a expectativa é de redução nas compras pelo país asiático, mas ainda não há clareza sobre o tamanho dessa retração.
Essa indefinição aumenta o nível de incerteza para o mercado exportador brasileiro, que pode precisar redirecionar volumes para outros destinos.
O Brasil deve registrar uma produção de milho superior à demanda interna, o que reforça a necessidade de manter um ritmo consistente de exportações.
As estimativas apontam para um consumo doméstico em torno de 99 milhões de toneladas, acima das 94 milhões anteriormente projetadas, impulsionado principalmente pelo crescimento do setor de etanol de milho.
Diante desse cenário, o excedente de produção precisará ser direcionado ao mercado externo para evitar pressão adicional sobre os preços internos.
O desempenho das exportações brasileiras ao longo de 2026 dependerá de uma combinação de fatores, incluindo a eficiência logística, a competitividade do produto brasileiro e o comportamento da demanda internacional.
A necessidade de encontrar mercado para cerca de 45 milhões de toneladas reforça a importância de um ambiente externo favorável e de estratégias comerciais bem definidas.
Embora os dados de março indiquem um início de ano positivo, o mercado de milho segue atento aos desafios que podem surgir ao longo de 2026.
A combinação de incertezas sobre grandes compradores, como o Irã, e possíveis entraves logísticos exige cautela por parte dos agentes do setor, que precisarão se adaptar rapidamente às mudanças no cenário global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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