Publicado em: 05/01/2024 às 11:20hs
As transformações climáticas têm desencadeado reconfigurações na agricultura global, sendo a Índia particularmente suscetível devido ao controle de preços exercido pelo governo. O cenário de eventos climáticos extremos no país mais populoso do mundo levanta preocupações sobre a segurança alimentar tanto a nível local quanto global, considerando que a Índia desempenha um papel significativo como grande exportadora de alimentos.
Em dezembro, o país implementou a proibição temporária de exportação de cebolas até março, buscando conter os preços internos. Essa medida se somou às restrições já impostas em relação a arroz, trigo e açúcar nos últimos 18 meses. Como o nono maior exportador mundial de produtos agrícolas, as restrições indianas podem desencadear impactos globais. Por exemplo, os preços do arroz aumentaram 14% na Tailândia e 22% no Vietnã entre julho e outubro, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares. O Ministério da Agricultura da Índia alertou para a possibilidade de queda de 20% nos rendimentos do arroz cultivado com chuva até 2050, sem medidas de adaptação.
As políticas agrícolas domésticas também apresentam desafios. Atualmente, o governo estabelece pisos de preços para diversas culturas, assegura a compra de certos produtos e fornece subsídios aos agricultores. Contudo, esse modelo tende a prejudicar investimentos e a oferta de alimentos, levando a situações de excesso de oferta durante períodos lentos e depressão artificial de preços quando a demanda global está alta.
Investigações governamentais apontam que as leis do Comitê de Comercialização de Produtos Agrícolas, responsáveis por regulamentar o comércio agrícola, resultam em cartelização e redução da concorrência. Além disso, a infraestrutura agrícola precária contribui para perdas pós-colheita de até 40% em alguns produtos.
De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os custos regulatórios na Índia equivaleram a 15% das receitas brutas das fazendas entre 2020 e 2022. O relatório destaca que os produtores foram implicitamente taxados, sem compensação pelos efeitos negativos das complexas regulamentações e políticas comerciais internas.
Informações Dow Jones Newswires
Fonte: Portal do Agronegócio
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