Preços Agropecuários

Cotações do milho caem em janeiro com estoques elevados e pressão da nova safra

Preços recuam nas principais praças do país; oferta global elevada também pesa sobre o mercado


Publicado em: 30/01/2026 às 16:00hs

Cotações do milho caem em janeiro com estoques elevados e pressão da nova safra
Foto: Fernando Dias

O mercado brasileiro de milho encerrou o mês de janeiro de 2026 com quedas nas cotações em praticamente todas as regiões produtoras. Segundo análise de Fernando Iglesias, especialista da Safras & Mercado, os consumidores começaram o ano com estoques elevados, o que reduziu a pressão de compra e ampliou a retração dos preços internos.

“Houve queda de preços no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e em outras praças importantes. O bom posicionamento de estoques pelos consumidores foi determinante nesse movimento”, avalia o analista.

Estoques elevados e avanço da colheita pressionam preços

Com o início da colheita da safra de verão em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a tendência de curto prazo ainda é de baixa nas cotações. Em outras regiões, como Centro-Oeste e Sudeste, os trabalhos de campo devem avançar nas próximas semanas, o que tende a aumentar a oferta doméstica.

Segundo o Banco Central do Brasil, o setor agrícola segue beneficiado por um câmbio mais estável e custos de produção sob controle, apesar da Selic mantida em 10,25% ao ano. Isso ajuda a equilibrar parte das perdas para produtores, mas mantém o ambiente de preços pressionados no mercado físico.

Mercado internacional tem forte influência da oferta global

No exterior, o mês de janeiro foi marcado por instabilidade nas bolsas internacionais. O milho chegou a ensaiar alta antes da divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 12 de janeiro.

O documento, porém, apontou os maiores estoques de milho da história dos EUA, com 13,282 bilhões de bushels armazenados, e revisou para cima as projeções de estoques mundiais da safra 2025/26, para 290,91 milhões de toneladas.

Essa expectativa de forte oferta global derrubou as cotações em Chicago, que acumularam queda de 2,6% em janeiro. Desde então, o mercado tenta se recuperar, sustentado pela demanda norte-americana e por perdas pontuais na safra da América do Sul, especialmente na Argentina, afetada por seca.

Preços internos do milho recuam em todo o país

As cotações internas refletiram a maior oferta e o menor ímpeto comprador. Em 29 de janeiro, a saca de 60 kg de milho foi negociada, em média, a R$ 63,57, queda de 6,09% em relação aos R$ 67,69 registrados no fim de dezembro.

Confira os principais preços regionais:

  • Cascavel (PR): R$ 63,00 (-3,08%)
  • Campinas/CIF (SP): R$ 68,00 (-8,11%)
  • Mogiana (SP): R$ 65,00 (-7,14%)
  • Rondonópolis (MT): R$ 56,00 (-12,5%)
  • Erechim (RS): R$ 65,00 (-7,14%)
  • Uberlândia (MG): R$ 63,00 (-5,97%)
  • Rio Verde (GO): R$ 60,00 (-4,76%)

De forma geral, o recuo dos preços reflete menor liquidez no mercado físico, grandes volumes armazenados e expectativa de safra robusta nos próximos meses.

Exportações avançam mesmo com preços menores

Apesar da desvalorização doméstica, as exportações de milho seguem firmes. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil registrou em janeiro receita de US$ 835,9 milhões, com 3,74 milhões de toneladas embarcadas até o dia 29.

O desempenho representa alta de 45,5% no valor médio diário exportado, aumento de 43,3% na quantidade média diária e valorização de 1,6% no preço médio frente a janeiro de 2025. O preço médio da tonelada ficou em US$ 223,20.

O cenário internacional mais competitivo, impulsionado pelo câmbio e pela boa demanda externa, tem ajudado a escoar parte da produção brasileira, aliviando momentaneamente o mercado interno.

Perspectivas para fevereiro

A tendência é de que os preços sigam pressionados no curto prazo, com o avanço da colheita e a manutenção de estoques elevados entre cooperativas e indústrias. No entanto, analistas apontam que as exportações e o câmbio continuarão sendo fatores-chave para definir o comportamento das cotações ao longo do primeiro trimestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

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