Publicado em: 30/01/2026 às 13:20hs
As fortes chuvas registradas em janeiro impactaram diretamente a produção de citros no estado de São Paulo, especialmente no segmento de laranja de mesa. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o excesso de umidade aumentou a ocorrência de fungos e podridões nos pomares, resultando na queda prematura de frutos e na redução da qualidade e durabilidade pós-colheita.
Os pesquisadores do Cepea destacam que parte da safra destinada à indústria foi perdida devido às condições climáticas adversas, enquanto outra parcela chegou ao mercado com qualidade inferior. Esse cenário intensificou a pressão sobre os preços, que já vinham sendo afetados pela oferta elevada neste início de ano.
Além das perdas em volume, produtores relatam aumento nos custos de manejo, já que o controle de doenças fúngicas e a necessidade de replanejar colheitas em períodos de alta umidade demandam mais investimentos e mão de obra.
O Cepea também observou que as indústrias de suco de laranja mantêm o foco no cumprimento dos contratos firmados anteriormente e no processamento de frutas próprias, o que reduz o recebimento de frutas no mercado spot (compras pontuais). Essa retração na demanda industrial agrava a pressão sobre as cotações da fruta in natura.
Segundo o Banco Central do Brasil, a economia brasileira segue em trajetória de estabilidade no início de 2026, com a taxa Selic mantida em 10,25% ao ano e expectativa de inflação controlada dentro da meta. Mesmo assim, o setor agroindustrial sente os efeitos da redução da atividade exportadora e das oscilações climáticas, fatores que podem influenciar a renda do produtor e a competitividade do agronegócio nacional.
Para o setor citrícola, a combinação de custos mais altos, perdas de produção e mercado retraído exige atenção redobrada nas próximas semanas, especialmente se o padrão de chuvas persistir no Sudeste.
Fonte: Portal do Agronegócio
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