Publicado em: 01/07/2026 às 10:10hs
Os preços da cesta básica registraram alta em todas as oito capitais analisadas em maio de 2026, segundo levantamento da Cesta de Consumo Neogrid & FGV IBRE. O movimento confirma um cenário de pressão inflacionária disseminada sobre alimentos essenciais, com impactos relevantes tanto no comportamento mensal quanto no acumulado do semestre.
O estudo também mostra mudanças importantes no ranking nacional: São Paulo passou a ter a cesta básica mais cara do país, superando o Rio de Janeiro, enquanto Belo Horizonte manteve o menor custo entre as capitais monitoradas.
Em maio, todas as capitais registraram variação positiva no custo da cesta básica, com intensidades diferentes entre as regiões. O movimento foi puxado principalmente por alimentos in natura, com destaque absoluto para os legumes.
As variações foram as seguintes:
O resultado evidencia um movimento uniforme de alta, ainda que com intensidades distintas, refletindo choques de oferta e variações sazonais em itens alimentares.
Com alta de 2,67%, São Paulo ultrapassou o Rio de Janeiro e passou a registrar a cesta básica mais cara do Brasil, atingindo R$ 1.000,94.
O avanço foi impulsionado principalmente por:
O movimento reforça o peso estrutural da capital paulista no custo de vida nacional, agora também refletido no topo do ranking da cesta básica.
Rio de Janeiro tem menor variação, mas segue entre os mais caros
O Rio de Janeiro apresentou a menor variação mensal do levantamento, com alta de apenas 0,91%, passando de R$ 981,37 para R$ 990,32.
Mesmo com o ritmo mais contido de alta, a capital fluminense segue entre as mais caras do país, influenciada por:
Belo Horizonte registrou alta de 1,97%, com a cesta passando de R$ 754,93 para R$ 769,83, permanecendo como a capital com menor custo entre as analisadas.
Apesar disso, a capital mineira apresenta forte pressão inflacionária no período e também lidera o acumulado semestral de alta.
O principal vetor de alta em maio foi o grupo dos legumes, com variações expressivas em todas as capitais:
Outros itens também contribuíram para o aumento da cesta:
O comportamento confirma que a inflação alimentar foi concentrada, mas com forte impacto sobre itens básicos do consumo diário.
Alguns produtos evitaram uma alta ainda maior da cesta básica em maio:
Entre os destaques de alívio inflacionário, os ovos lideraram as quedas, especialmente em Curitiba, onde registraram a maior retração do levantamento.
A cesta de consumo ampliada, que inclui 18 itens da cesta básica e mais de 50 produtos de higiene, limpeza e consumo geral, também registrou alta em todas as capitais.
Variações em maio:
Diferentemente da cesta básica, o Rio de Janeiro manteve a liderança na cesta ampliada, mesmo com a menor variação mensal.
Entre os itens da cesta ampliada, os maiores impactos vieram de:
O comportamento confirma uma pressão disseminada tanto em alimentos quanto em itens de higiene e limpeza.
No acumulado de seis meses, o comportamento da cesta básica revelou forte heterogeneidade entre as capitais:
O cenário evidencia ausência de tendência única no país, com dinâmicas regionais distintas influenciadas por logística, produção agrícola e demanda local.
Os dados de maio de 2026 confirmam um cenário de inflação alimentar disseminada e heterogênea no Brasil, com alta simultânea em todas as capitais e forte impacto dos legumes como principal vetor de pressão.
A diferença de até 30% entre a cesta mais cara (São Paulo) e a mais barata (Belo Horizonte), somada às variações semestrais divergentes, reforça o peso de fatores estruturais como logística, sazonalidade agrícola, tributação estadual e perfil de consumo regional.
O resultado indica que o comportamento da inflação dos alimentos segue altamente sensível a choques de oferta, exigindo monitoramento contínuo do mercado e atenção às cadeias de abastecimento no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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