Publicado em: 12/03/2026 às 19:40hs
O aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio voltou a gerar discussões no agronegócio brasileiro sobre possíveis impactos no fornecimento de fertilizantes, insumo essencial para a produtividade das lavouras.
Apesar do cenário de instabilidade, especialistas avaliam que o risco de desabastecimento no Brasil é limitado. Isso ocorre principalmente porque o país ampliou, nos últimos anos, o número de fornecedores internacionais, reduzindo a dependência de poucos mercados.
Ainda assim, o tema permanece no radar do setor agrícola, especialmente por causa do possível impacto nos custos de produção.
Mesmo com o cenário de conflito na região, o comércio agrícola entre o Brasil e países do Oriente Médio continua em funcionamento, com adaptações nas rotas de transporte.
O bloco é responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, o que torna a manutenção das operações comerciais estratégica para o setor.
Nas últimas semanas, empresas exportadoras têm ajustado rotas logísticas para garantir a continuidade do fluxo de cargas.
A reabertura do Canal de Suez e a utilização de portos alternativos em Omã, nos Emirados Árabes Unidos e em Djibouti permitiram manter o transporte de produtos agrícolas, ainda que com eventuais aumentos de custos.
O Brasil é um dos maiores importadores de fertilizantes do mundo e depende fortemente de insumos como ureia e fosfatados para sustentar a produção agrícola.
No entanto, a ampliação da base de fornecedores internacionais tem reduzido o risco de interrupções no abastecimento.
Atualmente, cerca de 16% dos fertilizantes fosfatados importados pelo Brasil têm origem no Oriente Médio, enquanto apenas 0,4% vêm diretamente do Irã.
Outros países ganharam espaço relevante nas compras brasileiras. A China passou a responder por aproximadamente 40% das importações, enquanto a Nigéria ampliou sua participação de cerca de 2% para aproximadamente 10% nos últimos anos.
Esse movimento de diversificação ajuda a reduzir a vulnerabilidade do país diante de crises regionais.
Embora a oferta de fertilizantes não seja vista como o principal ponto de preocupação, os preços dos insumos podem sofrer pressão caso a instabilidade geopolítica se prolongue.
A produção de fertilizantes depende diretamente de petróleo e gás natural, matérias-primas fundamentais para a fabricação desses produtos.
Historicamente, essas commodities reagem rapidamente a cenários de conflito internacional, o que pode elevar os custos de produção agrícola e afetar a rentabilidade das lavouras na próxima safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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