Publicado em: 28/01/2026 às 12:35hs
O Porto de Suape, em Pernambuco, pode vir a se posicionar como um potencial ponto de apoio à transição energética do transporte marítimo, diante das discussões globais sobre combustíveis alternativos. A Maersk, armadora do grupo, conduz testes na Europa para avaliar a viabilidade do uso do etanol como combustível marítimo, o que abre espaço para reflexões sobre oportunidades futuras para o Brasil e para o Nordeste.
O tema foi apresentado ao setor sucroenergético nordestino durante evento do Sindaçúcar-PE, como parte de um debate mais amplo sobre o papel dos biocombustíveis na descarbonização da indústria naval. Segundo o presidente da entidade, Renato Cunha, a discussão reflete uma nova etapa no processo global de transição energética do setor.
“A Maersk tem um plano ambicioso de investimentos em infraestrutura e frota para avaliar alternativas de transição energética no transporte marítimo ao longo dos próximos 15 anos”, destacou Cunha.
Os testes com etanol como combustível marítimo são conduzidos pela Maersk e ocorrem atualmente na Europa, especialmente na Dinamarca, sem operações em andamento no Brasil neste momento.
Em uma etapa inicial, foi avaliada a mistura E10 (10% etanol e 90% metanol), que apresentou resultados positivos de desempenho. Atualmente, a empresa testa a mistura E50 (50% etanol e 50% metanol), também com indicadores favoráveis de eficiência e estabilidade.
O uso de etanol 100% (E100) está em fase de avaliação técnica, mas ainda não há testes operacionais em curso, nem definição sobre sua adoção futura. A Maersk não sinaliza compromisso de compra nem decisão sobre adoção futura do etanol como combustível.
O eventual avanço do etanol no transporte marítimo pode representar um novo vetor de demanda para o combustível renovável, dependendo dos resultados técnicos e econômicos dos testes.
De acordo com Renato Cunha, caso o etanol venha a atingir 10% de participação no mercado marítimo global, a demanda potencial poderia chegar a cerca de 35 milhões de toneladas por ano — volume próximo à produção atual brasileira.
“O etanol se mostra uma alternativa promissora, especialmente para países com produção consolidada, como o Brasil, mas ainda depende de avaliações técnicas, regulatórias e logísticas”, explicou Cunha.
Com a infraestrutura do Porto de Suape e o potencial produtivo regional, o Nordeste tem condições de participar de uma futura cadeia de abastecimento de biocombustíveis marítimos, caso esse modelo se mostre viável no longo prazo.
Segundo o Sindaçúcar-PE, Pernambuco já registrou safras próximas de 700 milhões de litros de etanol, volume que, em um cenário futuro, poderia ser parcialmente direcionado ao setor marítimo.
Além da produção local, o estado poderia receber etanol de outras regiões via cabotagem, atuando como ponto logístico regional, sem que haja, até o momento, projetos definidos, cronogramas ou compromissos comerciais firmados.
“Há uma ampla possibilidade de uso desse etanol no futuro, a depender dos resultados dos testes e da evolução do mercado. Pernambuco tem potencial para integrar essa nova cadeia energética”, reforçou Cunha.
Os testes conduzidos pela Maersk com etanol reforçam o protagonismo do Brasil no debate global sobre biocombustíveis, mas não indicam, neste momento, uma decisão definitiva sobre a adoção do combustível.
O etanol é considerado uma alternativa de baixo carbono em avaliação para reduzir o impacto ambiental do transporte marítimo, responsável por cerca de 3% das emissões globais de CO₂.
A eventual inserção de portos brasileiros, como Suape, nessa rota dependerá de decisões futuras, mas o debate já amplia a visibilidade do país e do setor sucroenergético nas discussões internacionais sobre energia limpa.
Fonte: Portal do Agronegócio
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