Publicado em: 10/06/2026 às 14:00hs
A logística do agronegócio brasileiro vive um processo de transformação em que a sustentabilidade deixa de ser apenas um diferencial e passa a ocupar posição estratégica na redução de custos e no ganho de eficiência operacional. Em meio à revisão positiva das projeções para o PIB da agropecuária em 2026, o setor também enfrenta pressões externas, como a alta do petróleo, que tende a impactar combustíveis, fertilizantes e toda a cadeia de transporte e alimentos.
Nesse cenário, soluções voltadas à substituição do plástico descartável, especialmente o filme stretch utilizado na amarração de cargas, vêm ganhando espaço em frigoríficos, hortifrutis e cooperativas em diferentes regiões do país.
A elevação dos preços internacionais do petróleo, influenciada por tensões geopolíticas e instabilidades em regiões produtoras, tem reflexo direto no custo de insumos derivados, incluindo o plástico utilizado amplamente na logística agroindustrial.
Com isso, empresas do setor passam a buscar alternativas capazes de reduzir a dependência de materiais descartáveis e, ao mesmo tempo, aumentar a eficiência operacional no transporte e armazenamento de cargas.
Desenvolvida no Brasil, a tecnologia de cintas reutilizáveis para amarração de pallets vem sendo adotada por grandes frigoríficos de proteínas suína, bovina, avícola e aquicultura, além de operações de hortifrúti e cooperativas agrícolas.
Segundo dados do setor, a solução já representa cerca de 15% da base de clientes de uma das empresas pioneiras na tecnologia, que afirma ter evitado o uso de mais de 12 mil toneladas de plástico ao longo de uma década.
Além da redução de resíduos, a substituição do filme stretch traz ganhos operacionais significativos, com aplicação mais rápida e maior padronização no processo logístico.
O avanço das práticas ESG no agronegócio e na logística tem impulsionado a adoção de soluções reutilizáveis como parte da estratégia de competitividade das empresas.
De acordo com especialistas do setor, a mudança não é motivada apenas por responsabilidade ambiental, mas principalmente por ganhos financeiros e operacionais ao longo do tempo.
Atualmente, a produção de cintas reutilizáveis atinge cerca de 17 mil unidades mensais, com distribuição em praticamente todo o território nacional.
Um dos diferenciais da tecnologia é a possibilidade de reutilização do material por até cinco anos, reduzindo a necessidade de reposição constante de insumos descartáveis.
Em termos operacionais, a aplicação da cinta pode ser feita em menos de 45 segundos por pallet, chegando a ser até três vezes mais rápida do que o uso do filme stretch tradicional.
Além disso, ferramentas de cálculo desenvolvidas pelo setor permitem estimar a redução de custos e emissões de CO₂ com base no volume de pallets movimentados, reforçando a integração entre eficiência logística e sustentabilidade.
A instabilidade em regiões produtoras de petróleo e os impactos sobre o preço de derivados reforçam a tendência de adoção de soluções mais resilientes e menos dependentes de insumos fósseis.
Nesse contexto, a substituição do plástico descartável por sistemas reutilizáveis passa a ser vista como uma alternativa estratégica para reduzir a exposição do agronegócio às oscilações do mercado internacional.
Especialistas do setor avaliam que a tendência é de crescimento contínuo da demanda por soluções sustentáveis na logística, impulsionada pela necessidade de redução de custos, aumento de produtividade e adequação às exigências ambientais do mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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