Frete sobe até 30% no pico da colheita do milho e amplia busca por armazenagem nas fazendas
Falta de espaço para guardar a produção leva agricultores a escoar os grãos imediatamente; juros altos e desconhecimento sobre linhas de crédito dificultam novos investimentos
Publicado em: 01/10/2026 às 07:00hs
A concentração da colheita da segunda safra de milho em poucas semanas volta a pressionar o transporte e a capacidade de armazenagem no Brasil. Sem espaço para reter os grãos na propriedade, produtores precisam enviá-los ao mercado justamente quando a demanda por caminhões aumenta. Em polos do Centro-Oeste e do MATOPIBA, o frete rodoviário pode subir de 20% a 30% no pico desse movimento, segundo dados da empresa de tecnologia logística nstech.
O desafio ganha dimensão diante da produção total de milho estimada em 141,8 milhões de toneladas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a temporada. Para o agricultor, a falta de armazenagem reduz a possibilidade de escolher quando transportar e comercializar a safra.
Juros e acesso à informação limitam investimento em armazéns
A construção de estruturas próprias pode dar ao produtor mais flexibilidade após a colheita, mas o custo do investimento ainda é um obstáculo. Em levantamento apresentado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Fórum Mais Milho, 72% dos agricultores afirmaram que investiriam em armazéns se as taxas de juros fossem menores. Outros 25% disseram desconhecer as linhas de crédito disponíveis para essa finalidade.
Para Mathias Abreu, gerente-geral de Engenharia da AGI Brasil, o crescimento da produção exige que a armazenagem seja planejada com antecedência e de acordo com as necessidades de cada propriedade.
“Quando o produtor não tem capacidade de guardar o milho dentro da propriedade, fica refém da volatilidade do mercado no momento em que a oferta está no ponto máximo”, afirma.
Armazenar milho exige controle de umidade e aeração
A capacidade de guardar o grão é apenas parte da decisão. O projeto precisa considerar o volume colhido, a velocidade de recebimento e as condições climáticas da região, além de integrar as etapas de limpeza, secagem e aeração.
Segundo Abreu, falhas nesses processos podem favorecer fungos e pragas ou provocar perdas de qualidade e peso. O dimensionamento dos equipamentos e o controle da operação também influenciam o consumo de energia elétrica e o custo de conservação dos grãos.
Uma alternativa apontada pelo executivo são as estruturas modulares, que permitem começar com uma capacidade ajustada à produção atual e ampliar a unidade conforme a necessidade. Com armazenagem na fazenda, o produtor ganha mais tempo para organizar o escoamento e avaliar as condições de venda do milho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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