Publicado em: 15/05/2026 às 11:15hs
O custo do frete rodoviário no Brasil voltou a subir com força em abril, refletindo o aquecimento da logística nacional durante o pico de escoamento da safra agrícola. Segundo dados do Índice Frete.com de Preços (IFP), o valor médio do transporte de cargas atingiu R$ 0,431 por tonelada por quilômetro rodado, avanço de 6,93% em relação a março.
Na comparação anual, o aumento acumulado chega a 16,8%, evidenciando a pressão crescente sobre o transporte rodoviário brasileiro em meio à demanda elevada do agronegócio, ao encarecimento dos combustíveis e às tensões geopolíticas internacionais.
O levantamento foi divulgado pela Frete.com, plataforma de transporte rodoviário de cargas da América Latina, que reúne cerca de 25 mil empresas e mais de 900 mil motoristas cadastrados no país.
O principal fator por trás da valorização do frete continua sendo o forte ritmo de escoamento da safra brasileira, especialmente soja, milho e outras commodities destinadas à exportação.
Com o aumento da circulação de cargas nos principais corredores logísticos do país, cresce a disputa por caminhões disponíveis, elevando os preços do transporte em diferentes regiões.
Além disso, o cenário internacional também influencia diretamente os custos operacionais do setor. A volatilidade no mercado global de energia e os impactos de conflitos geopolíticos mantêm os combustíveis em níveis elevados, pressionando ainda mais os fretes.
De acordo com Charles Monteux, CRO da Frete.com, o agronegócio segue sendo o principal vetor de demanda logística no país.
“A movimentação da safra agrícola continua exercendo pressão importante sobre a logística nacional, especialmente em rotas de longa distância e corredores estratégicos de exportação, além dos impactos do cenário geopolítico”, afirmou o executivo.
Entre as regiões brasileiras, o Sudeste manteve o maior custo médio de frete em abril, alcançando R$ 0,472 por tonelada/km rodado.
Confira os valores médios regionais registrados no período:
O desempenho do Sudeste reflete a elevada concentração industrial, o grande fluxo de mercadorias e a intensa movimentação nos portos e centros de distribuição da região.
Entre os diferentes tipos de carroceria analisados pelo índice, os caminhões baú apresentaram o maior valor médio de frete em abril, chegando a R$ 0,677 por tonelada/km rodado.
Já os segmentos ligados diretamente ao agronegócio também mostraram forte valorização no acumulado do ano:
Os números consideram o período entre janeiro e abril de 2026 na comparação com os mesmos meses do ano passado.
O cenário reforça o peso do agronegócio sobre a dinâmica logística brasileira e indica que os custos de transporte devem continuar elevados enquanto persistirem o ritmo intenso das exportações agrícolas e a pressão sobre combustíveis e infraestrutura.
Fonte: Portal do Agronegócio
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