Publicado em: 04/02/2026 às 11:45hs
Os custos com fretes de grãos no Brasil devem aumentar cerca de 20% em fevereiro, alcançando o ponto mais alto de 2026, segundo estimativas do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Esalq/USP.
Apesar da alta expressiva, o valor deve permanecer abaixo do pico registrado no mesmo período de 2025, afirmou o pesquisador Fernando Bastiani durante evento em Piracicaba (SP).
De acordo com Bastiani, o ritmo da colheita de soja em Mato Grosso está mais avançado neste ano, o que pressiona a demanda por caminhões e sustenta os preços do frete.
Em 2025, a situação era inversa: enquanto o estado enfrentava atrasos, outros produtores já estavam mais adiantados.
Agora, com a chegada da safra de outras regiões nas próximas semanas, a expectativa é que os valores elevados do frete se mantenham por mais tempo.
“O Brasil não tem capacidade para armazenar toda a sua produção, então precisa escoar parte logo no início da colheita, o que eleva os custos logísticos”, explicou Bastiani.
Atualmente, o país tem capacidade estática de armazenagem equivalente a 70% da produção agrícola, enquanto os Estados Unidos possuem estrutura para 140% da sua produção, ou seja, mais do que produzem.
Outro fator que pressiona os custos é o line-up elevado de navios aguardando carregamento, especialmente no Porto de Santos (SP).
Essa demanda concentrada no início da colheita aumenta a disputa por transporte, impulsionando o valor dos fretes de longa distância.
No segmento de açúcar, a Esalq-Log prevê aumento gradual dos fretes até março, período em que o produto compete com grãos pelo uso dos caminhões rumo aos portos.
Entretanto, o movimento deve ser menos intenso que em 2025.
Isso ocorre devido à queda dos preços internacionais do açúcar e ao superávit global de estoques registrados no último ano, o que deve levar usinas brasileiras a direcionarem mais cana-de-açúcar para a produção de etanol, reduzindo a pressão logística pelo transporte do adoçante.
Para os fertilizantes, Bastiani avaliou que o ano será desafiador, principalmente por causa da relação de troca desfavorável entre soja e insumos agrícolas.
Os preços da soja têm caído durante a colheita, enquanto o custo dos fertilizantes permanece elevado — uma das piores relações dos últimos três anos.
“Essa situação pode reduzir a demanda em 2026 e impactar a fertilidade das lavouras em 2026/27”, alertou o pesquisador.
Além disso, o reajuste de 4% no piso do frete rodoviário, anunciado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), pode afetar o transporte do setor no final do ano, período de menor fluxo de grãos.
Como os caminhões costumam aproveitar o retorno dos portos para levar fertilizantes a preços menores, o novo piso pode aumentar os custos logísticos do segmento.
O coordenador do Esalq-Log, Thiago Péra, explicou que o reforço na fiscalização da ANTT tem contribuído para o encarecimento dos fretes.
Desde o fim de 2025, a agência passou a monitorar eletronicamente o cumprimento do piso mínimo do frete. Agora, transportadores precisam declarar digitalmente o valor cobrado — e, quando o preço é inferior ao piso, o sistema gera multa automática.
“Observamos que houve um aumento real nos valores do frete em decorrência da fiscalização eletrônica”, afirmou Péra.
De acordo com dados da Esalq-Log, o número de autos de infração atingiu recorde histórico em 2025, superando 68 mil registros, contra um máximo anterior de cerca de 20 mil em 2019.
Somente nos primeiros meses de 2026, já foram contabilizadas mais de 35 mil autuações, indicando continuidade da pressão sobre os custos do transporte agrícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
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