Logística e Transporte

Exportar soja será um dos desafios do oeste baiano

A queda de 24,4% das exportações de soja da Bahia nos primeiros seis meses de 2015 em relação ao mesmo período em 2014, divulgada pela Superintendência de Estudos Econômicos da Bahia (SEI), deve ser agravada por um 2º semestre estável, mas com tendência a redução na comercialização de soja


Publicado em: 20/07/2015 às 11:30hs

Exportar soja será um dos desafios do oeste baiano

Esta é a perspectiva dos produtores do extremo oeste baiano que enfrentaram este ano dificuldades climáticas, redução das importações e alta nos combustíveis e insumos que elevaram os custos da produção, segundo Ernani Sabai, diretor de projetos e pesquisa de agronegócios da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Arthur Cruz, coordenador de Comércio Exterior da SEI, órgão vinculado a Secretaria de Planejamento, explica que a pesquisa mostrou que a redução do embarque da soja foi de 2% - 1.301.365 toneladas (1º semestre de 2015) contra 1.328.534 toneladas (1º semestre de 2014).

Um dos motivos, avalia Cruz, foi a expectativa dos produtores de que a valorização do câmbio compensasse os custos de produção. Já os preços sofreram redução ao nível dos valores praticados em 2010, com queda da receita do produto ainda maior, chegando a 25.9% (de US$ 665,592 milhões (qº semestre de 2014) para US$ 564,464 milhões (1º semestre de 2015, explicou Cruz.

"A pauta de exportação baiana vem se deteriorando desde o 2º semestre de 2014. E os produtos agropecuários representam cerca de 35% da pauta da exportação do estado, incluindo produtos como soja (que representa 14,2% do total das vendas para o exterior), sisal, celulose, cacau, milho, café, algodão, entre outros.

De uma maneira geral, demonstra a pesquisa da SEI, com exceção da China, para onde as vendas externas baianas cresceram 20%, mantendo o país asiático como principal destino para as exportações da Bahia, todos os outros principais mercados registraram queda no semestre, evidenciando baixo dinamismo da economia mundial: UE (-17%); EUA (-42%); Mercosul (-20%) e demais países da América Latina (-9%).

Custos

Ernani Sabai explica que no próximo mês terá inicio o planejamento para a safra 2015/2016 e os custos da produção não geram entusiasmo para quem planta soja e principalmente algodão.

Ele aponta como fator mais impactante para os problemas enfrentados pelos produtores de soja da Bahia, a questão climática. É que, com a escassez de chuva houve, ao mesmo tempo houve uma redução de 49 sacas/hectare na safra 2013/2014, para 42 sacas/hectare na safra 2014/2015.

Esse clima tambem foi favorável para a proliferação de pragas, o que aumentou a necessidade da utilização de pesticidas químicos e biológicos, elevando o custo por hectare.

"Por fim", disse Sabai, "a cultura da soja e do algodão é altamente mecanizada e o encarecimento do preço do diesel determinado pelo governo federal nos últimos meses tem um peso significativo do ponto de vista negativo na conta final entre custo e lucro", explicou.

Algodão

O custo de produção de soja por hectare cresceu de US$ 1.900 em 2014 para US$ 2.300 este ano em decorrência deste fatores, o que é mais grave em decorrência da menor oferta de negócios no mercado exterior.

Mas Sabai diz que este panorâma não ameaça a saúde financeira do setor agrícola do extremo oeste porque os negócios futuros já foram fechados, mas é preciso estar atento com as próximas safras. Ele destaca como setor mais preocupante o de produção de algodão que possui maior valor agregado e que vem se retraindo consideravelmente desde a safra 2009/2010.

"O algodão tem menor área plantada e que vem se reduzindo a cada ano. Mesmo assim em termos de rendimento gera quase a mesma renda que áreas mais extensas que produzem soja. Por outro lado a soja e seus derivados são absorvidas pelo mercado interno, principalmente em grão para alimentação animal e no formato de óleo", ressalta.

Isso porém, não ocorre com o algodão, já que o parque têxtil brasileiro praticamente foi destruído depois que o mercado nacional foi invadido por produtos chineses. "A Europa está saindo da crise e começando aos poucos a consumir, mas o mercado asiático é nosso maior comprador e é preciso ficar atento", finaliza.

Fonte: A Trade

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