Publicado em: 20/07/2015 às 11:30hs
Esta é a perspectiva dos produtores do extremo oeste baiano que enfrentaram este ano dificuldades climáticas, redução das importações e alta nos combustíveis e insumos que elevaram os custos da produção, segundo Ernani Sabai, diretor de projetos e pesquisa de agronegócios da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
Arthur Cruz, coordenador de Comércio Exterior da SEI, órgão vinculado a Secretaria de Planejamento, explica que a pesquisa mostrou que a redução do embarque da soja foi de 2% - 1.301.365 toneladas (1º semestre de 2015) contra 1.328.534 toneladas (1º semestre de 2014).
Um dos motivos, avalia Cruz, foi a expectativa dos produtores de que a valorização do câmbio compensasse os custos de produção. Já os preços sofreram redução ao nível dos valores praticados em 2010, com queda da receita do produto ainda maior, chegando a 25.9% (de US$ 665,592 milhões (qº semestre de 2014) para US$ 564,464 milhões (1º semestre de 2015, explicou Cruz.
"A pauta de exportação baiana vem se deteriorando desde o 2º semestre de 2014. E os produtos agropecuários representam cerca de 35% da pauta da exportação do estado, incluindo produtos como soja (que representa 14,2% do total das vendas para o exterior), sisal, celulose, cacau, milho, café, algodão, entre outros.
De uma maneira geral, demonstra a pesquisa da SEI, com exceção da China, para onde as vendas externas baianas cresceram 20%, mantendo o país asiático como principal destino para as exportações da Bahia, todos os outros principais mercados registraram queda no semestre, evidenciando baixo dinamismo da economia mundial: UE (-17%); EUA (-42%); Mercosul (-20%) e demais países da América Latina (-9%).
Custos
Ernani Sabai explica que no próximo mês terá inicio o planejamento para a safra 2015/2016 e os custos da produção não geram entusiasmo para quem planta soja e principalmente algodão.
Ele aponta como fator mais impactante para os problemas enfrentados pelos produtores de soja da Bahia, a questão climática. É que, com a escassez de chuva houve, ao mesmo tempo houve uma redução de 49 sacas/hectare na safra 2013/2014, para 42 sacas/hectare na safra 2014/2015.
Esse clima tambem foi favorável para a proliferação de pragas, o que aumentou a necessidade da utilização de pesticidas químicos e biológicos, elevando o custo por hectare.
"Por fim", disse Sabai, "a cultura da soja e do algodão é altamente mecanizada e o encarecimento do preço do diesel determinado pelo governo federal nos últimos meses tem um peso significativo do ponto de vista negativo na conta final entre custo e lucro", explicou.
Algodão
O custo de produção de soja por hectare cresceu de US$ 1.900 em 2014 para US$ 2.300 este ano em decorrência deste fatores, o que é mais grave em decorrência da menor oferta de negócios no mercado exterior.
Mas Sabai diz que este panorâma não ameaça a saúde financeira do setor agrícola do extremo oeste porque os negócios futuros já foram fechados, mas é preciso estar atento com as próximas safras. Ele destaca como setor mais preocupante o de produção de algodão que possui maior valor agregado e que vem se retraindo consideravelmente desde a safra 2009/2010.
"O algodão tem menor área plantada e que vem se reduzindo a cada ano. Mesmo assim em termos de rendimento gera quase a mesma renda que áreas mais extensas que produzem soja. Por outro lado a soja e seus derivados são absorvidas pelo mercado interno, principalmente em grão para alimentação animal e no formato de óleo", ressalta.
Isso porém, não ocorre com o algodão, já que o parque têxtil brasileiro praticamente foi destruído depois que o mercado nacional foi invadido por produtos chineses. "A Europa está saindo da crise e começando aos poucos a consumir, mas o mercado asiático é nosso maior comprador e é preciso ficar atento", finaliza.
Fonte: A Trade
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