Logística e Transporte

Exportações de mel caem em volume, mas alta de preços impulsiona receita brasileira em 2025

Apesar da queda nos embarques, o Brasil registrou aumento de quase 16% na receita das exportações de mel; Paraná se destaca entre os principais estados exportadores.


Publicado em: 05/02/2026 às 20:00hs

Exportações de mel caem em volume, mas alta de preços impulsiona receita brasileira em 2025
Foto: Gilson Abreu
Brasil registra queda no volume exportado, mas fatura mais com mel em 2025

As exportações brasileiras de mel “in natura” somaram 34.468 toneladas em 2025, uma redução de 9,1% em comparação a 2024, quando os embarques alcançaram 37.931 toneladas.

Apesar do recuo no volume, a receita total aumentou 15,8%, atingindo US$ 116,47 milhões, conforme o Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), com base em dados do Agrostat Brasil.

O preço médio nacional também apresentou expressiva valorização, subindo 27,5% e chegando a US$ 3.379,13 por tonelada, reflexo da demanda internacional e de ajustes cambiais.

Paraná ganha destaque com aumento expressivo na receita

O Paraná consolidou-se como o terceiro maior exportador de mel natural do país em 2025, com 5.983 toneladas embarcadas e receita de US$ 20,07 milhões. O preço médio estadual ficou em US$ 3.354,38 por tonelada, superior ao de 2024.

No ano anterior, o estado havia exportado 3.969 toneladas, faturando US$ 10,39 milhões, com preço médio de US$ 2.619,05 por tonelada — um avanço significativo em volume e valor médio por tonelada.

Minas Gerais e Piauí lideram exportações nacionais de mel

Minas Gerais manteve a liderança nacional em 2025, com 7.722 toneladas exportadas e receita de US$ 26,38 milhões, a um preço médio de US$ 3,42 por quilo.

Em 2024, o estado havia registrado 7.761 toneladas e US$ 21,48 milhões em receita, com valor médio de US$ 2,77 por quilo.

O Piauí ficou em segundo lugar, exportando 6.564 toneladas e faturando US$ 21,67 milhões. Apesar da boa performance, o estado apresentou queda de 34,6% no volume exportado em relação a 2024, quando enviou 10.032 toneladas, mas obteve alta no preço médio, que subiu de US$ 2,55 para US$ 3,30 por quilo.

Já Santa Catarina ocupou a quarta posição, com 4.822 toneladas exportadas e receita de US$ 16,48 milhões, mantendo desempenho estável frente ao ano anterior.

Estados Unidos seguem como principal destino do mel brasileiro

Os Estados Unidos continuaram sendo o maior importador do mel brasileiro em 2025, respondendo por 84,2% do total exportado. O país adquiriu 29.026 toneladas, com receita de US$ 97,78 milhões e preço médio de US$ 3,37 por quilo.

Mesmo com a aplicação de uma tarifa de 50% sobre o mel brasileiro a partir de agosto de 2025, as vendas para o mercado norte-americano caíram apenas 3,2% em volume, mas a receita aumentou 24,3%, impulsionada pelo maior preço pago por tonelada.

Tarifa norte-americana impacta dinâmica das exportações

Os efeitos da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos começaram a aparecer ao longo do segundo semestre de 2025.

Agosto: importações de 2.941 toneladas, movimentando US$ 10,67 milhões, com aumento em relação ao mesmo mês de 2024, devido à antecipação de compras.

  • Setembro: queda para 2.338 toneladas e US$ 8,44 milhões em receita, mas com alta no preço médio.
  • Outubro: embarques de 1.643 toneladas, faturando US$ 5,50 milhões, com menor volume, porém maior receita frente ao ano anterior.
  • Novembro: forte retração, com 1.433 toneladas e US$ 3,16 milhões, redução de 63% no volume ante 2024.
  • Dezembro: 1.419 toneladas exportadas, queda de 39,8%, e receita de US$ 4,97 milhões, 29,8% menor, embora com recuperação no preço médio, que atingiu US$ 3.508 por tonelada.
Setor apícola enfrenta incertezas e busca novos mercados

O setor apícola brasileiro encerrou 2025 sob um cenário de incertezas, especialmente pela manutenção da tarifa de 50% sobre o mel no mercado norte-americano.

A continuidade desse cenário dependerá das negociações bilaterais entre Brasil e EUA e da capacidade do país em abrir novos destinos comerciais.

Além das barreiras tarifárias, o segmento enfrenta desafios logísticos e sanitários, fatores que podem influenciar o desempenho das exportações no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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