Publicado em: 09/04/2026 às 10:40hs
As exportações brasileiras para o Oriente Médio registraram queda de 26% em março, reflexo inicial do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o valor exportado para os 15 países da região recuou de US$ 1,2 bilhão em março de 2025 para US$ 882 milhões em 2026.
Apesar do recuo, o governo avalia que ainda é cedo para medir com precisão os impactos do conflito sobre o fluxo comercial.
“Para fazer uma afirmação mais conclusiva, é necessário aguardar mais dados”, afirmou Herlon Brandão, diretor de Estatísticas da pasta.
A retração foi mais intensa nos produtos do agronegócio, principais itens exportados para a região.
As vendas de carne de frango, principal produto exportado ao Oriente Médio, tiveram impacto relevante, refletindo a sensibilidade do setor a oscilações geopolíticas.
No fim de março, o Brasil firmou um acordo com a Turquia para viabilizar a passagem e o armazenamento temporário de mercadorias do agronegócio destinadas ao Oriente Médio e à Ásia Central.
No entanto, os efeitos dessa medida devem aparecer apenas nos dados da balança comercial a partir de abril.
Na contramão do agronegócio, o principal destaque positivo foi o petróleo bruto.
As exportações do produto cresceram:
Embora o governo não confirme relação direta com o conflito, a guerra já impactou cerca de 20% do comércio global de petróleo, elevando os preços internacionais.
Para os próximos meses, a expectativa é de desaceleração nas vendas, especialmente após a adoção de uma alíquota de 12% sobre exportações de petróleo, implementada para compensar subsídios ao diesel.
Além do Oriente Médio, outros parceiros comerciais também reduziram compras de produtos brasileiros em março:
Por outro lado, a China ampliou suas importações em 17,8%, reforçando sua posição como principal destino das exportações brasileiras.
O Brasil registrou resultados distintos nas relações comerciais com seus principais parceiros:
As exportações para a União Europeia cresceram 7,3%, enquanto a Argentina manteve saldo positivo, mesmo com queda nas vendas.
Apesar das oscilações regionais e setoriais, o Brasil fechou março com superávit comercial de US$ 6,4 bilhões.
O cenário reflete os primeiros impactos do conflito sobre o comércio global, com efeitos distintos entre regiões e cadeias produtivas, especialmente nos setores de energia e alimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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