Logística e Transporte

Exportações brasileiras ao Oriente Médio recuam 26% em março com impactos de conflito internacional

Queda atinge carnes e soja, enquanto petróleo avança e China amplia compras do Brasil


Publicado em: 09/04/2026 às 10:40hs

Exportações brasileiras ao Oriente Médio recuam 26% em março com impactos de conflito internacional
Queda nas exportações para o Oriente Médio

As exportações brasileiras para o Oriente Médio registraram queda de 26% em março, reflexo inicial do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o valor exportado para os 15 países da região recuou de US$ 1,2 bilhão em março de 2025 para US$ 882 milhões em 2026.

Apesar do recuo, o governo avalia que ainda é cedo para medir com precisão os impactos do conflito sobre o fluxo comercial.

“Para fazer uma afirmação mais conclusiva, é necessário aguardar mais dados”, afirmou Herlon Brandão, diretor de Estatísticas da pasta.

Agronegócio é o mais afetado

A retração foi mais intensa nos produtos do agronegócio, principais itens exportados para a região.

  • Carne suína: queda de 59%
  • Frango: recuo de cerca de 22%
  • Soja: redução de 25%

As vendas de carne de frango, principal produto exportado ao Oriente Médio, tiveram impacto relevante, refletindo a sensibilidade do setor a oscilações geopolíticas.

Medidas logísticas e expectativa de reação

No fim de março, o Brasil firmou um acordo com a Turquia para viabilizar a passagem e o armazenamento temporário de mercadorias do agronegócio destinadas ao Oriente Médio e à Ásia Central.

No entanto, os efeitos dessa medida devem aparecer apenas nos dados da balança comercial a partir de abril.

Petróleo avança e ganha destaque na balança

Na contramão do agronegócio, o principal destaque positivo foi o petróleo bruto.

As exportações do produto cresceram:

  • 70,4% em valor, atingindo US$ 4,7 bilhões
  • 75,9% em volume

Embora o governo não confirme relação direta com o conflito, a guerra já impactou cerca de 20% do comércio global de petróleo, elevando os preços internacionais.

Para os próximos meses, a expectativa é de desaceleração nas vendas, especialmente após a adoção de uma alíquota de 12% sobre exportações de petróleo, implementada para compensar subsídios ao diesel.

Desempenho em outros mercados internacionais

Além do Oriente Médio, outros parceiros comerciais também reduziram compras de produtos brasileiros em março:

  • Estados Unidos: queda de 9,1%
  • Canadá: recuo de 10%
  • Argentina: queda de 5,9%

Por outro lado, a China ampliou suas importações em 17,8%, reforçando sua posição como principal destino das exportações brasileiras.

Balança comercial: superávit puxado pela China

O Brasil registrou resultados distintos nas relações comerciais com seus principais parceiros:

  • Estados Unidos: déficit, com exportações de US$ 2,8 bilhões e importações de US$ 3,3 bilhões
  • China: superávit de US$ 3,8 bilhões

As exportações para a União Europeia cresceram 7,3%, enquanto a Argentina manteve saldo positivo, mesmo com queda nas vendas.

Superávit comercial e cenário global

Apesar das oscilações regionais e setoriais, o Brasil fechou março com superávit comercial de US$ 6,4 bilhões.

  • Exportações totais: US$ 31,7 bilhões (+10%)
  • Importações: US$ 25,2 bilhões (+20,1%)

O cenário reflete os primeiros impactos do conflito sobre o comércio global, com efeitos distintos entre regiões e cadeias produtivas, especialmente nos setores de energia e alimentos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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