Publicado em: 18/05/2026 às 18:40hs
As exportações brasileiras para os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) registraram forte retração em abril, refletindo os impactos do conflito no Oriente Médio e das dificuldades logísticas na região. Mesmo diante do cenário adverso, o agronegócio brasileiro segue sustentando resultados positivos nas vendas aos mercados árabes.
Levantamento da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, com base em dados do Governo Federal, aponta que as exportações totais para o bloco recuaram 24,99% em abril na comparação com o mesmo período do ano passado, somando US$ 455,54 milhões.
No acumulado de 2025, as receitas apresentam queda mais moderada, de 0,67%, totalizando US$ 2,82 bilhões.
O CCG é formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã — mercados considerados estratégicos para o agronegócio brasileiro, especialmente pela forte dependência regional de importações de alimentos.
Segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, a principal pressão sobre o comércio ocorreu após as restrições logísticas provocadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota considerada vital para o fluxo marítimo global.
O cenário elevou significativamente os custos de frete e seguro, além de obrigar empresas a recorrerem a operações de transbordo terrestre e aéreo para garantir o abastecimento dos países da região.
De acordo com Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, os exportadores brasileiros conseguiram adaptar suas operações mesmo diante das dificuldades.
“Os exportadores encontraram soluções logísticas para manter os produtos chegando à região, ainda que com custos mais elevados. Os países árabes continuam demandando alimentos, especialmente itens do agronegócio ligados à segurança alimentar”, afirmou.
Apesar da retração no comércio total, o agronegócio brasileiro manteve desempenho positivo no quadrimestre. Entre janeiro e abril, as exportações agropecuárias para o CCG cresceram 1,97%, alcançando US$ 1,76 bilhão.
A pauta exportadora segue liderada por carne de frango, açúcar, carne bovina, milho e café.
Os números mostram que parte das perdas em determinadas categorias foi compensada pelo avanço expressivo de outros produtos estratégicos.
Principal produto brasileiro vendido ao Golfo, a carne de frango acumulou queda de 5,98% no ano, com receitas de US$ 791,19 milhões.
Mesmo assim, o Catar ampliou em 13,82% as compras do produto brasileiro, totalizando US$ 70,29 milhões.
O movimento ocorreu após o país adaptar sua logística utilizando portos sauditas localizados no Mar Vermelho, além de operações terrestres e transporte aéreo para manter o abastecimento interno.
O açúcar apresentou um dos melhores desempenhos entre os produtos exportados ao bloco árabe.
As vendas cresceram 28,74% no acumulado do ano, atingindo US$ 442,59 milhões.
O destaque ficou para a Arábia Saudita, que ampliou as importações em 46,35%, e para Omã, onde os embarques brasileiros saltaram impressionantes 6.332,27% no período.
O crescimento chama atenção especialmente porque parte dos portos omanenses também foi impactada pelas restrições logísticas na região do Golfo.
A carne bovina brasileira também mantém trajetória positiva em 2025, acumulando alta de 28,77% entre janeiro e abril, com receitas de US$ 219,30 milhões.
O avanço ocorreu em todos os países integrantes do CCG.
No entanto, os dados de abril já indicam desaceleração nas exportações do produto. Em relação a março, as receitas recuaram 46,90%, sinalizando possível mudança de ritmo nos embarques para os próximos meses.
Após praticamente zerar os embarques em março, o milho brasileiro voltou a ganhar espaço no mercado árabe em abril.
As vendas do cereal somaram US$ 11,80 milhões no mês passado, elevando o acumulado anual para US$ 73,01 milhões — crescimento de 11,69%.
Os principais compradores foram Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Já o café brasileiro registra um dos maiores avanços percentuais da pauta exportadora ao Golfo. As receitas cresceram 58,50% no quadrimestre, alcançando US$ 64,67 milhões.
Os maiores aumentos foram observados nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã, em um movimento associado à recomposição de estoques pelos importadores da região.
Mesmo diante das tensões geopolíticas e dos gargalos logísticos, o mercado árabe segue sendo considerado estratégico para o agronegócio nacional.
A dependência alimentar dos países do Golfo continua sustentando a demanda por proteínas, grãos, açúcar e café brasileiros, reforçando a importância da região para as exportações do agro em 2025.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias