Logística e Transporte

EUA reduzem tarifas e ampliam competitividade das exportações brasileiras

Nova política tarifária dos Estados Unidos elimina ou reduz taxas para 46% das exportações do Brasil, beneficiando aeronaves, calçados, móveis e produtos agrícolas


Publicado em: 25/02/2026 às 19:00hs

EUA reduzem tarifas e ampliam competitividade das exportações brasileiras
Estados Unidos adotam novo regime tarifário favorável ao Brasil

O novo regime de tarifas dos Estados Unidos vai reduzir significativamente os custos de parte das exportações brasileiras. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 46% dos produtos enviados do Brasil para o mercado norte-americano ficarão livres de qualquer sobretaxa, o que representa cerca de US$ 17,5 bilhões em exportações anuais.

A medida foi anunciada após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou as chamadas tarifas recíprocas impostas durante o governo do ex-presidente Donald Trump, baseadas em legislação de emergência nacional. A nova ordem executiva foi publicada em 20 de fevereiro, estabelecendo novas diretrizes tarifárias.

Impacto nas exportações brasileiras

Segundo o MDIC, 25% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 9,3 bilhões, passam a ter tarifa global de 10%, podendo chegar a 15% conforme ajustes previstos pela Lei de Comércio de 1974 (Seção 122).

Já 29% das exportações, aproximadamente US$ 10,9 bilhões, permanecem submetidas às tarifas da Seção 232, que trata de medidas de segurança nacional e afeta produtos como aço e alumínio.

Antes das mudanças, cerca de 22% dos produtos brasileiros sofriam com sobretaxas que chegavam a 50%, o que reduzia a competitividade no mercado norte-americano.

Aeronaves brasileiras ganham destaque

Um dos principais avanços da nova política é a eliminação total das tarifas sobre aeronaves brasileiras, que agora entram nos Estados Unidos com alíquota zero, substituindo a antiga taxa de 10%.

As aeronaves estão entre os três principais produtos exportados pelo Brasil para os EUA em 2024 e 2025, representando um setor de alto valor agregado e grande conteúdo tecnológico.

Setores industriais beneficiados

Além do setor aeronáutico, o novo regime tarifário aumenta a competitividade de diversos segmentos industriais brasileiros. Entre os setores beneficiados estão:

  • Máquinas e equipamentos
  • Calçados
  • Móveis
  • Confecções
  • Madeira
  • Produtos químicos
  • Rochas ornamentais

Esses produtos deixam de sofrer tarifas de até 50% e passam a ser tributados com alíquota uniforme de 10%, podendo chegar a 15% em casos específicos.

Agropecuária também é favorecida

O setor agropecuário brasileiro também será beneficiado pela nova política dos EUA. Produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel deixam de pagar tarifas de 50% e passam a ser taxados dentro da faixa de 10% a 15%, ampliando o potencial de competitividade e acesso ao mercado norte-americano.

Comércio bilateral entre Brasil e EUA cresce em 2025

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos alcançou US$ 82,8 bilhões, um crescimento de 2,2% em relação a 2024. As exportações brasileiras somaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações dos EUA totalizaram US$ 45,1 bilhões, resultando em um déficit de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

O MDIC ressalta que os cálculos foram feitos com base nos dados de exportações do último ano e podem variar conforme ajustes técnicos de classificação tarifária e destino dos produtos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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