Logística e Transporte

Desafios logísticos impulsionam elevação de 21% nos custos de transporte de fertilizantes

Estudo da EsalqLog/USP revela aumento nos custos de produção do agronegócio brasileiro devido à dependência crescente de fertilizantes importados e obstáculos logísticos significativos.


Publicado em: 25/01/2024 às 18:00hs

Desafios logísticos impulsionam elevação de 21% nos custos de transporte de fertilizantes

O Brasil, renomado como um dos maiores produtores mundiais de alimentos, enfrenta desafios logísticos que resultaram em um aumento de 21% nos custos de transporte de fertilizantes entre 2010 e 2022, conforme apontado por um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (EsalqLog/USP).

No período analisado, a dependência do mercado internacional para suprir as necessidades nacionais de fertilizantes aumentou de 60% para mais de 80%. O estudo, intitulado "Perfil da Logística de Fertilizantes no Brasil no Período 2010 a 2022", destaca que o modal rodoviário prevaleceu, representando 86% do transporte interno, em contraste com o modal ferroviário, que alcançou 13,6%. O custo médio do transporte desses insumos cresceu 21%, ajustado para a inflação.

Embora a movimentação de fertilizantes por ferrovias tenha aumentado em 23%, atingindo 6 milhões de toneladas, a demanda crescente por fertilizantes superou esse avanço, resultando em uma redução na participação do modal ferroviário de 32% em 2010 para 16% em 2022.

Thiago Guilherme Péra, coordenador da EsalqLog, destaca que, embora o Brasil tenha ampliado o volume transportado por ferrovias, não houve uma diversificação efetiva da matriz de transporte, resultando em um aumento na participação dos caminhões. A distância média de transporte de fertilizantes, cerca de 800 quilômetros, torna o setor altamente sensível a aumentos nos preços dos combustíveis.

O estudo revela que, em 2010, o Brasil importou cerca de 15 milhões de toneladas de fertilizantes, representando uma dependência de 62%. Em 2021, essa dependência atingiu 86%, evidenciando a crescente vulnerabilidade do país a oscilações no mercado internacional.

O fechamento de fábricas e o aumento na produção de grãos, de 150 milhões para mais de 320 milhões de toneladas, explicam o aumento na dependência das importações.

Os portos do Sul, principalmente Paranaguá (28%), Santos (20%), Rio Grande (12%), São Luís (9%) e São Francisco do Sul (8%), são responsáveis por 77% das importações. Notavelmente, portos como Salvador, Belém, São Francisco do Sul e São Luís ganharam participação de mercado, enquanto Paranaguá e Rio Grande perderam.

Santos, diferentemente de outros portos, aumentou sua participação, atribuído à inauguração de um novo terminal de importação de fertilizantes com ligação ferroviária direta e à proximidade de misturadoras, impulsionando as importações.

O preço do frete rodoviário para fertilizantes segue um padrão sazonal, atingindo picos nos períodos de maior importação, entre setembro e outubro, e declínio entre fevereiro e abril, marcados pela exportação significativa de grãos. A conjunção desses fatores delineia um cenário desafiador para o setor agroindustrial brasileiro, que busca soluções para mitigar os gargalos logísticos e os impactos financeiros decorrentes.

Fonte: Portal do Agronegócio

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