Logística e Transporte

Crise não freia o avanço das cooperativas de transporte de cargas

As Cooperativas de Transporte de Cargas (CTCs) têm muitos motivos para comemorar em 2017


Publicado em: 23/01/2018 às 15:40hs

Crise não freia o avanço das cooperativas de transporte de cargas

Após três anos consecutivos de recessão enfrentados pelo segmento de transporte rodoviário no país, elas têm conseguido manter o ritmo de seus negócios independentemente dos altos e baixos da economia. E quem faz essa afirmativa são os números.

De acordo com pesquisa realizada pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC), em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), as concorrentes mercantis das cooperativas acumularam uma queda média de 10,32% no faturamento. O levantamento apontou, ainda, que 56,3% dessas empresas diminuíram de tamanho.

Enquanto isso, conforme levantamento da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), as cooperativas de transporte aceleraram e devem fechar 2017 com um faturamento 14,2% maior do que no ano anterior. Para 2018, a expectativa é de que a frota cresça 3,5% e que a quantidade de cargas tenha um incremento de 6,2%.

Esses dados possibilitam uma visão clara de termômetro de mercado. Os bons resultados das cooperativas durante o período de recessão e o otimismo com os próximos anos são fruto de seu modelo de negócios: o cooperativismo. A otimização e o compartilhamento de recursos dentro de sua estrutura comprovam a força desse modelo e, com base nele, projetam boas perspectivas de um crescimento sustentável.

Isso porque, o sistema cooperativista busca o desenvolvimento econômico dentro de uma cultura de colaboração, unindo forças para mitigar os riscos e para aproveitar as oportunidades, colocando-se competitivamente no mercado, uma vez que os cooperados são os donos do negócio e dividem esses papeis. Assim, configura-se o modelo de autogestão e participação democrática, somando-se a esses diferenciais as estruturas e áreas de inteligência de cada uma das cooperativas do ramo.

Aliás, crescer com sustentabilidade tem sido o foco principal dessas cooperativas. E é com este horizonte em mente que o Ramo Transporte, um dos treze segmentos de atividades que compõem o cooperativismo brasileiro, faz seu dever de casa. Juntas, as CTCs buscaram novos modelos de negociação, pleitearam regulamentações que trouxessem uma base sólida para os cooperados, prospectaram seu crescimento junto a países da América Latina e encontraram novos caminhos que garantissem essa evolução contínua e sólida.

Um grande exemplo dessa articulação coletiva é a Central Rede Transporte, uma cooperativa de segundo grau responsável, desde 2015, pela negociação e fornecimento dos insumos necessários à operação das CTCs. Exercendo esse papel, ela trabalha para facilitar o dia a dia das cooperativas e estabelecer sua competitividade junto ao mercado.

No caso do combustível, por exemplo, a Central negocia a compra em grande quantidade e o repasse, mesmo em um período de queda de preço, às suas associadas com um valor mais competitivo do que o encontrado no mercado. A lógica vale para pneus, peças e produtos diversos, como aplicativos e tecnologias que facilitem o dia a dia das cooperativas.

A Central também permite a utilização compartilhada da frota. Isso quer dizer que, ao concluir o transporte de uma carga o caminhão volta carregado para sua base. Antes, o mais comum era o caminhão voltar com a carroceria vazia, gerando prejuízos e até danos ao veículo. É a cooperação, ou melhor, a intercooperação a favor do desenvolvimento coletivo.

Essa tem sido a realidade de uma relação de ganha-ganha. E não são só as cooperativas que têm se mostrado satisfeitas. Os clientes têm buscado cada vez mais profissionais especializados e comprometidos com seu negócio. E esse é o perfil de quem faz parte de uma cooperativa, afinal, quando cada profissional participa do processo de gestão, é natural que o comprometimento e a busca pela excelência sejam mais efetivos e motivadores.

E os resultados registrados pelo cooperativismo de transporte de cargas são exatamente isso: uma combinação entre investimento, inovação, garantia de carga, segurança, qualificação profissional e valorização daquele que vive, diariamente, a cooperação nas estradas do Brasil.

Por Abel Paré - coordenador nacional do Conselho Consultivo do Ramo Transporte da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e presidente da Central Rede Transporte.

Fonte: Portos e Navios

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