Publicado em: 18/06/2024 às 17:30hs
O Brasil tem se beneficiado do crescimento do setor de biocombustíveis nos Estados Unidos, oferecendo uma commodity pouco conhecida que pode ser utilizada na produção de combustíveis renováveis. Nos primeiros quatro meses de 2024, as compras americanas de sebo bovino brasileiro aumentaram 377% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este aumento significativo contribuiu para quase todo o incremento de 40% nas importações totais de sebo pelos EUA.
Fabricantes de combustíveis dos EUA, como Diamond Green Diesel e Marathon Petroleum, estão buscando matérias-primas mais baratas no exterior para aumentar suas margens de lucro. O diesel renovável produzido a partir de gordura residual, como o sebo bovino ou óleo de cozinha usado, possui uma pontuação de carbono mais baixa comparado ao óleo de soja. Isso resulta em créditos fiscais mais elevados na Califórnia, onde a maior parte do diesel verde dos EUA é consumida atualmente.
"Enquanto as regras permanecerem como estão, essas empresas de biocombustíveis utilizarão o que for mais barato", afirmou John Baize, analista independente e consultor do Conselho de Exportação de Soja dos EUA.
Um crédito fiscal federal maior também entrará em vigor no próximo ano, incentivando ainda mais o uso de matérias-primas como sebo e óleo de cozinha usado, que tendem a ser mais lucrativas do que o óleo vegetal derivado da soja americana.
Aproveitando os incentivos à energia limpa, o Brasil emergiu como o principal fornecedor de sebo para os EUA. Até poucos anos atrás, praticamente não havia exportação desse produto para o mercado americano. O aumento nas importações tem criado desafios para os agricultores e empresas agrícolas nos EUA, que dependem da demanda por matérias-primas para diesel verde. Empresas como Bunge Global e Archer-Daniels-Midland estão enfrentando concorrência acirrada das importações estrangeiras, o que tem corroído seus lucros e ameaçado planos de expansão.
O sebo, utilizado em diversos produtos, de ração para animais de estimação a sabão, é abundante no Brasil, que é o segundo maior abatedor de animais de corte do mundo, atrás apenas da China. Até 2022, o Brasil raramente exportava sebo, mas isso mudou quando a Darling Ingredients, sediada no Texas, adquiriu o Grupo FASA, a maior empresa independente de processamento do Brasil. A FASA, agora parte da Darling, fornece gordura residual para a Diamond Green Diesel, um empreendimento conjunto de biocombustíveis entre a Darling e a Valero Energy.
"O sebo brasileiro foi incorporado ao mix de matérias-primas para biocombustíveis dos EUA, em parte devido à integração da FASA pela Darling Ingredients", explicou Brett Gibbs, analista da Bloomberg Intelligence. As importações totais de sebo pelos EUA quadruplicaram desde 2019, atingindo um recorde de 779.300 toneladas métricas em 2023, segundo dados comerciais do governo dos EUA.
Em 2023, o Brasil foi responsável por cerca de 23% dos embarques de sebo para os EUA, percentual que subiu para 40% nos primeiros quatro meses de 2024. Além disso, o mercado americano de biocombustíveis tem sido abastecido por recordes de importações de óleo de cozinha usado, principalmente da China. Esse cenário levou um grupo de esmagadores de soja a pressionar por um aumento nas tarifas de importação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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