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Logística e Transporte

Arco Norte pode elevar escoamento de grãos para 30 milhões de toneladas em cinco anos

Expansão de terminais fluviais, melhorias na BR-163 e novos acessos consolidam Miritituba como rota estratégica para as exportações agrícolas do Centro-Oeste


Publicado em: 23/09/2026 às 10:45hs

Arco Norte pode elevar escoamento de grãos para 30 milhões de toneladas em cinco anos

O Arco Norte ganha espaço na logística brasileira de grãos e amplia sua participação no escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste. Nesse movimento, Miritituba, distrito de Itaituba, no Pará, consolida-se como um dos principais pontos de conexão entre o transporte rodoviário, as hidrovias amazônicas e o mercado internacional.

Segundo Wladimir Melo, especialista do agronegócio, a expansão da infraestrutura no Norte do país está criando alternativas competitivas aos portos do Sul e do Sudeste. A expectativa é que a capacidade de escoamento da rota avance dos atuais 17 milhões para 30 milhões de toneladas nos próximos cinco anos.

O crescimento deverá ser sustentado pela implantação de novos terminais fluviais, pela modernização das estruturas existentes e por investimentos destinados a melhorar os acessos rodoviários.

BR-163 reduz tempo de transporte entre Sinop e Miritituba

A consolidação da BR-163 foi determinante para o avanço do Corredor Norte. O tempo de viagem entre Sinop, em Mato Grosso, e Miritituba caiu de aproximadamente 30 para 18 horas, aumentando a competitividade da rota para o transporte de soja, milho e outros produtos agrícolas.

A redução do percurso melhora a eficiência operacional e contribui para diminuir os custos de deslocamento até as estações de transbordo. Nessas estruturas, os grãos deixam os caminhões e seguem em barcaças pelos rios Tapajós e Amazonas até os terminais exportadores.

O crescimento acelerado da movimentação, contudo, também expôs gargalos. Nos períodos de maior concentração da safra, o fluxo intenso de caminhões pressiona os acessos e as estruturas de transbordo, reforçando a necessidade de novos investimentos.

Novos acessos devem aliviar trânsito de caminhões

Projetos conduzidos por concessionárias e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) incluem a construção de contornos rodoviários e novos acessos à região de Miritituba.

As intervenções buscam reduzir a circulação de veículos pesados no perímetro urbano, melhorar a fluidez do transporte e oferecer maior previsibilidade às operações logísticas durante os picos de embarque.

Empresas como a Hidrovias do Brasil e outras operadoras portuárias também participam da ampliação da capacidade do Corredor Norte. O avanço dos investimentos acompanha o crescimento da produção de grãos em Mato Grosso e em outras áreas do Centro-Oeste.

Hidrovias fortalecem competitividade das exportações

A navegação pelos rios Tapajós e Amazonas oferece uma alternativa estratégica para o acesso aos mercados internacionais. Além do potencial de redução dos custos logísticos, a saída pelo Norte pode encurtar o percurso marítimo para determinados destinos da Europa e da Ásia, em comparação com os embarques realizados por Santos e Paranaguá.

A diversificação dos corredores também reduz a concentração das exportações em poucos portos e aumenta a capacidade do país de absorver safras maiores.

“O Brasil descentraliza suas exportações. Para o produtor, significa maior margem e previsibilidade. Para o investidor, significa posicionar capital onde a demanda é garantida e crescente pelas próximas décadas”, avalia Melo.

Com a expansão dos terminais e a melhoria dos acessos terrestres e fluviais, o Arco Norte tende a assumir um papel ainda mais relevante na logística do agronegócio brasileiro e na competitividade dos grãos produzidos no Centro-Oeste.

Fonte: Portal do Agronegócio

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