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Tarde de Campo Integração Pecuária-Floresta reúne mais de 100 pessoas em Bagé

O evento foi realizado pelo Mapa, Emater/RS-Ascar, Embrapa Pecuária Sul, Universidade da Região da Campanha (Urcamp) e Prefeitura de Bagé


Publicado em: 22/09/2015 às 08:15hs

Tarde de Campo Integração Pecuária-Floresta reúne mais de 100 pessoas em Bagé

Mais de 100 pessoas participaram da Tarde de Campo Integração Pecuária-Floresta, que aconteceu na última terça-feira (15), na Propriedade Nossa Senhora Auxiliadora, no Distrito de Palmas. A atividade teve como objetivo demonstrar os benefícios do Projeto Silvipastoril da Região da Campanha do Rio Grande do Sul (pecuária e florestas na mesma área), que encerrou a fase de aplicação de recursos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O evento foi realizado pelo Mapa, Emater/RS-Ascar, Embrapa Pecuária Sul, Universidade da Região da Campanha (Urcamp) e Prefeitura de Bagé.

A primeira estação da atividade tratou sobre o plantio e manejo das árvores na integração com a pecuária, e teve como responsável o engenheiro florestal da Emater/RS-Ascar, Rodolfo Perske. Durante a apresentação, ele explicou os objetivos do projeto, além de como ocorreu a implantação da floresta, como deve ser feita a poda e demonstrou equipamentos para esse fim. Perske explica que a meta do Silvipastoril é melhorar os resultados da pecuária, oferecendo, através das árvores, o conforto térmico aos animais e produzir madeira para ser utilizada na propriedade.

“O evento superou as nossas expectativas, pois não esperávamos tantas pessoas dada a distância da localidade onde as atividades ocorreram, da cidade. Concluímos a etapa de aplicação de recursos nas propriedades participantes, mas seguiremos fazendo o acompanhamento técnico das pastagens e árvores. Há também a demanda dos produtores que estão no projeto de reunirmos o grupo para, uma ou duas vezes ao ano, trocar ideias e informações”, contou o engenheiro.

Em outra estação da Tarde de Campo, o pesquisador da Embrapa, Vinicius Lampert, apresentou resultados de avaliações econômicas da utilização da madeira nesse tipo de sistema. A partir da avaliação dos custos de implantação e das receitas que o componente arbóreo proporciona, foi possível identificar que numa área de três hectares pode-se obter uma renda líquida em torno de R$ 30 mil no período entre 12 e 15 anos. “Isso sem considerarmos os ganhos com a pecuária no sistema. Somente avaliamos os custos de implantação das árvores e a renda obtida com a madeira”, ressaltou o pesquisador.

O bom manejo das pastagens é fundamental para o sucesso de um sistema de integração entre pecuária e florestas. Para tratar do tema, o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Alexandre Varella e o analista Marco Antônio Lucas conduziram uma estação repassando recomendações de manejo da pastagem em sistemas integrados. De acordo com Varella, o primeiro aspecto que se deve considerar é a diferença desse sistema, uma vez que as plantas forrageiras têm a competição com as árvores. Para o pesquisador, o ajuste de carga animal de acordo com a disponibilidade de forragens nas áreas é essencial para que o produtor tenha resultados positivos no ganho de peso do gado.

O pesquisador ressaltou ainda que em sistemas de integração pecuária e florestas o manejo de pastagens requer cuidados diferenciados. “Nos sistemas silvipastoris precisamos considerar fatores como o sombreamento parcial das forragens pelas árvores e também a área total que é destinado para o pastejo”, ressaltou. Segundo ele, na hora de calcular a disponibilidade de forragem para os animais é preciso considerar que os locais mais próximos a linha das árvores terão menos pasto que no meio das fileiras. “E quanto mais altas ficarem as árvores, menor será a disponibilidade de pastagem nas áreas próximas a elas”.

Os professores da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), Leonardo Oliveira e Gabriel Cardoso, apresentaram a estação que falou sobre o Tratamento de Madeira. Para eles o maior desafio sobre o tema é conseguir que os produtores entendam a importância da madeira passar por tratamento. “Através desses processos temos como obter um produto de melhor qualidade que irá aumentar significativamente a vida útil do material. O tratamento pode ser feito de maneira caseira, o que diminuiria os custos. Sem o manejo adequado a madeira dura no máximo cinco anos, da forma correta ela pode chegar a 25 anos”, relata Oliveira.

Para Cardoso, é uma questão de resistência cultura. “Em outros países isso é muito comum, aqui, talvez em função da abundância de madeira, não temos esse hábito. Mas antes 46% do Rio Grande do Sul era floresta, hoje temos que mudar a nossa visão e perceber que se não usarmos de uma maneira sustentável vamos acabar com tudo”, ressaltou ele.

O produtor rural de Caçapava do Sul, Celso Zago, já participou de outro projeto como esse. “A participação na Tarde de Campo trouxe bastantes informações, como a importância do tratamento da madeira, os benefícios dos sistemas. Pretendo fazer a integração na minha propriedade pelo lucro que posso obter futuramente e para promover o bem-estar dos animais que crio”. Os participantes ainda conferiram uma demonstração de serrarias portáteis durante a Tarde de Campo.

Fonte: Embrapa Pecuária Sul

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