Publicado em: 20/09/2016 às 17:15hs
A expectativa surge diante do anúncio de aquisição da multinacional de herbicidas e engenharia genética de sementes Monsanto pelo grupo farmacêutico alemão Bayer. O acordo foi confirmado ontem após oferta de US$ 66 bilhões pela Bayer para aquisição da Monsanto. Desde maio deste ano o acordo vem sendo negociado e foi, enfim, fechado.
De acordo com o presidente da Associação dos Produtores e Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Endrigo Dalcin, a cobrança de royalties foi debatida em 5 reuniões com a Monsanto. Conforme ele, atualmente o produtor paga R$ 129 por hectare cultivado com sementes que incorporam tecnologia da multinacional. “Se não recolher esse valor, o agricultor é penalizado com a cobrança de 7% sobre a produção entregue na moega”.
Dalcin acrescenta que essa transação cria uma gigante do setor, “com faturamento de US$ 26,5 bilhões”, comenta. Na sequência, cita ele, estão a Syngenta/ChemChina (US$ 16,3 bilhões), Dupont/Dow Chemical (US$ 16,2 bilhões) e Basf (US$ 5,2 bilhões). “A Bayer tem um grande portfólio de defensivos/herbicidas e continua com pesquisas nessa linha, se mantendo como uma marca muito forte”.
A sinergia esperada com a combinação das duas companhias será de US$ 1,5 bilhão após 3 anos, além de novos cortes de custos ganhos com soluções integradas nos anos futuros. A aquisição está sujeita à aprovação de órgãos reguladores, mas a expectativa é que a operação seja concluída até o fim de 2017. Pelo acordo, a Bayer se comprometeu a pagar US$ 2 bilhões em caso de não aprovação por órgãos antitruste, sinalizando a confiança da companhia de que obterá o aval necessário.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou ao Jornal A Gazeta com base no artigo 88 da Lei 12.529/2011, com valores atualizados por Portaria Conjunta do Ministério da Justiça e Ministério da Fazenda, que devem ser notificados ao Cade os atos de concentração em que, cumulativamente “pelo menos um dos grupos envolvidos na operação tenha registrado, no último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no país, no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 750 milhões” ou que “pelo menos um outro grupo envolvido na operação tenha registrado, no último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no país, no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 75 milhões”.
Sendo assim, se os respectivos grupos Monsanto e Bayer preencherem esses critérios de faturamento no Brasil, a operação deverá ser submetida ao aval do Cade.
Fonte: Gazeta Digital
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