Publicado em: 08/05/2023 às 17:00hs
Destes, apenas 4700 km² são considerados área urbana. De acordo com dados do IBGE, a população total é de aproximadamente 19,5 milhões de habitantes e apenas 15% destes residem na zona rural. São cerca de 581 mil km², habitados por menos de 3 milhões de pessoas. Com tanto espaço disponível e pouca gente por perto, um problema vem se agravando nas regiões menos urbanizadas do estado: a violência.
Na quinta, 27 de abril, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a segurança no campo voltou a ser discutida. O debate público “Mundo Agro: negócios, ambiente e desafios” abordou as demandas e os gargalos do agronegócio em Minas Gerais, buscando alternativas para melhoria do ambiente de negócios nas cadeias produtivas da agropecuária. O presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio Pitangui de Salvo, apresentou dados do agronegócio no estado, ressaltando que 38% das exportações mineiras são do agro. E que a atividade vem crescendo, mas sem aumentar as áreas de cultivo e preservando o meio ambiente.
“Viemos aqui pedir recursos e segurança. Sabemos que não há como ter patrulhas rurais em todas as estradas, mas nós precisamos entender que segurança alimentar é uma garantia de paz, onde falta comida, falta tudo. Temos algumas demandas: segurança pública, infraestrutura logística e conectividade energética. Fico feliz de ver que nosso setor é bem recebido nesta casa, para representar um povo que tanto precisa de nós”, ressaltou o presidente do Sistema Faemg Senar.
Os constantes furtos e roubos na zona rural tem causado medo e apreensão entre moradores e produtores. Em Tabuleiro, no fim do ano passado, um homem de 71 anos foi vítima de latrocínio, sendo alvejado por tiros após reagir a um assalto. Já em Rio Pomba, que fica a apenas 15 quilômetros dali, um produtor rural tem sofrido com recorrentes roubos em sua propriedade, amargurando um prejuízo de cerca de 30 mil reais nos últimos anos com essas ocorrências.
“Tem hora que eu penso em desistir da atividade. Foram três vezes nos últimos anos. Levaram equipamentos e eu comprei de novo. Depois roubaram insumos. Agora, na semana santa, furtaram uma vaca minha”, contou André Batista Marcelino, produtor de leite.
Devido aos constantes problemas enfrentados pela população rural, o Sindicato de Produtores Rurais de Rio Pomba, em parceria com o cabo da polícia militar rodoviária, Wagner Lisboa, organizou na quarta-feira, 19 de abril, uma reunião com representantes da polícia civil e militar, produtores rurais de diversas cidades e lideranças sindicais na sede da entidade. Compuseram a mesa o vice-presidente do Sistema Faemg Senar e presidente do Sindicato Rural de Rio Pomba, José Alfredo Quintão, o prefeito de Rio Pomba, Reginaldo Furtado, o presidente da câmara, Maurílio Rodrigues, o comandante da patrulha rural, Sargento Marcelo Prudente, o comandante da 4ª CIA de Polícia Militar Rodoviária, Capitão Vinícius Araújo, o comandante do 4º pelotão de polícia de Rio Pomba, Abner Dalvas e o delegado de polícia civil da região, Arthur Simões. Quase 100 pessoas encheram o auditório do sindicato para acompanhar a reunião.
Foram discutidas maneiras de melhorar a segurança no campo, através de medidas de patrulhamento e monitoramento à distância, além de apresentadas diversas medidas de auto segurança que podem ser adotadas. “Convocamos essa reunião para resolver a questão do furto de gado, fertilizantes e maquinários, que vem acontecendo já há algum tempo, mas que vem se agravando recentemente”, disse José Alfredo Quintão, presidente do sindicato rural.
Grande parte das propriedades rurais ficam às margens de rodovias estaduais, área de jurisdição da polícia militar rodoviária. O capitão Vinícius Araújo ressaltou a importância dos produtores terem atenção quanto às suas propriedades, ficando atentos a movimentações estranhas e veículos parados.
"Precisamos tomar atitudes integradas, com foco na auto segurança. Não dá para ter uma viatura em todo lugar, por isso, precisamos aumentar a segurança entre as possíveis vítimas, formando redes de apoio entre moradores, aumentar o monitoramento, com grupos de comunicação que possam gerar informações para a polícia. Os infratores certamente transitam pelas rodovias e com informações mais precisas, podemos direcionar nossos esforços para identificar e melhorar monitoramento dessas pessoas”, declarou o capitão.
A patrulha rural que atende à região tem apenas uma viatura, é sediada em Ubá e trabalha em 10 cidades. Desta maneira, a patrulha passa uma vez a cada 10 dias nos municípios, ficando o policiamento diário por conta dos pelotões da PM. Para evitar perdas e aumentar a possibilidade de ressarcimento em caso de furtos, o comandante da patrulha rural, Marcelo Prudente, deu dicas a respeito dos procedimentos que podem ajudar na apuração de possíveis crimes.
“É interessante que o produtor fotografe seus animais, que os marque com a marca da sua propriedade. É indicado que mantenha guardadas as notas fiscais de seus produtos e também coloque marcas neles, para que sejam identificados com mais facilidade em caso de furtos. Trabalhar para manter a segurança, afastando animais da beira da rodovia, chumbando seus equipamentos de forma adequada e guardando detalhes que podem ajudar na identificação de seus animais”, relatou o sargento.
Como medidas de segurança, foram discutidas com a prefeitura a instalação de câmeras do olho vivo em pontos estratégicos que dão acesso à zona rural, a colocação de placas informando que a propriedade faz parte da rede de monitoramento da polícia, criação de grupos de divulgação de informação entre produtores, além de parcerias com empresas de segurança privada.
“O sindicato rural está fazendo o cadastramento de produtores rurais que tenham interesse em instalar equipamentos de segurança em suas propriedades, para que seja feito um convênio que leve a esses produtores equipamentos de monitoramento a preços acessíveis. Além disso, o sindicato está doando um computador para a sala da patrulha rural, para otimizar seu atendimento e, durante o expediente do sindicato, temos um telefone exclusivo para atendimento de questões de segurança, que o produtor pode entrar em contato caso se sinta ameaçado ou precise avisar sobre ocorrências, o número do telefone é 32 9 9884-6951”, disse José Alfredo Quintão.
Em Curvelo, no dia 25, outra reunião aconteceu na sede do Sest/SENAT, por meio do Sindicato dos Produtores Rurais da cidade e PMMG e Associação Mineira dos Criadores de Zebu (AMCZ), abordando o tema da segurança e o cenário atual no campo. O “Encontro Rede de Proteção Rural” reuniu cerca de 130 participantes, entre representantes das entidades, produtores e moradores da zona rural.
O presidente do Sindicato Rural, Thiago Guimarães, destacou a participação do agronegócio no PIB brasileiro. Segundo ele, dada a relevância, é preciso que o produtor esteja sempre atento ao que está acontecendo ao seu redor e saber como proceder frente às adversidades. Enquanto representante da classe, o presidente disse que a entidade não vai medir esforços para promover ações como essa, fazendo com que informação chegue em todas as instâncias do campo. “Discutimos questões importantes e realmente efetivas no combate à criminalidade para que o produtor possa trabalhar com tranquilidade na missão de alimentar o mundo”.
Fonte: FAEMG
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