Publicado em: 07/01/2026 às 08:30hs
Com a aproximação da primeira etapa da reforma tributária, prevista para entrar em vigor em 2026, o agronegócio inicia uma fase de ajustes e atenção redobrada às novas regras. A recente publicação de uma norma técnica trouxe orientações sobre a inclusão dos novos tributos nas notas fiscais eletrônicas, marcando o início do processo de adequação dos sistemas fiscais do setor.
A partir de janeiro de 2026, dois dos três novos impostos — o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) — deverão ser informados no XML das notas fiscais, arquivo digital que contém todos os dados oficiais da operação comercial. Já o Imposto Seletivo (IS), voltado a desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e combustíveis fósseis, começará a valer em 2027.
Segundo as diretrizes da reforma, o IBS substituirá o ICMS e o ISS, enquanto a CBS unificará PIS e Cofins. O IS, por sua vez, funcionará como um imposto adicional ao IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Embora o consumidor visualize apenas o DANFE — documento auxiliar da nota fiscal —, é o XML que serve de base para validação e fiscalização por parte das Secretarias da Fazenda.
Inicialmente, a ausência dos campos relativos ao IBS e à CBS impediria a emissão das notas fiscais. No entanto, uma revisão recente da norma técnica, publicada no início de dezembro, flexibilizou a exigência: as notas poderão ser emitidas mesmo sem essas informações, ainda que de forma temporária.
Apesar disso, a legislação continua em vigor, e o descumprimento pode gerar penalidades futuras, alerta Munique Lopes, Product Owner Contábil Fiscal da Agrotis, empresa especializada em soluções de gestão para o agronegócio.
“A reforma é gradativa e 2026 funcionará como um período de teste. Os novos tributos ainda não serão cobrados, mas precisam constar no XML, mesmo que de maneira informativa. É melhor se preparar agora do que enfrentar problemas anos depois”, reforça Munique.
A especialista ressalta que a reforma tributária passará por ajustes até 2032, exigindo acompanhamento constante por parte das empresas. “Cada mês traz uma nova atualização técnica. Quem se antecipar estará mais protegido e entenderá melhor seus custos tributários”, explica.
Para ela, o agronegócio deve encarar 2026 como um ano de diagnóstico, com foco na revisão de produtos, sistemas e classificações fiscais. “Estamos lidando com novos códigos e regras. Empresas, cooperativas e produtores precisam revisar suas bases para evitar riscos fiscais ou distorções de custo no futuro”, complementa.
Um dos principais pontos de atenção do setor é o possível impacto da reforma nos preços de insumos agrícolas, como fertilizantes, defensivos e sementes. Com a revisão gradual dos benefícios fiscais, há expectativa de mudanças na carga tributária desses produtos.
Mesmo assim, Munique destaca que ainda é cedo para fazer projeções:
“As alíquotas não estão totalmente definidas. No caso dos defensivos, há discussões sobre o enquadramento no imposto seletivo, mas nada foi consolidado. Por enquanto, não é possível afirmar se os preços vão subir ou cair”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
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