Gestão

Proposta de marco legal do regime integrado de produção dará segurança jurídica ao setor produtivo

Versão final do projeto, com emendas acatadas, foi apresentada em encontro na sede da CNA. Para João Martins, consenso “tem de ser bom pra todos”


Publicado em: 29/09/2015 às 18:30hs

Proposta de marco legal do regime integrado de produção dará segurança jurídica ao setor produtivo

Um marco regulatório que vai estabelecer, a partir de agora, parâmetros legais para o modelo de produção integrada para dar segurança jurídica ao setor produtivo. Este é o objetivo do Projeto de Lei 6459/13, que propõe regras mais claras e transparentes para dar equilíbrio e transparência na relação contratual entre produtores e empresas que trabalham com o regime integrado de produção. Nesse modelo, os dois elos firmam parcerias para receber insumos para criação de animais ou plantio de determinadas culturas e fornecer matérias-primas para industrialização. Este instrumento é muito utilizado nos setores de frangos, suínos, citros e tabaco.

A versão final da proposta, que aguarda votação no Plenário da Câmara dos Deputados, foi apresentada nesta quinta-feira (24/9), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em encontro que reuniu parlamentares e lideranças de entidades do setor agropecuário e de trabalhadores. A matéria foi finalizada após ampla discussão no Congresso Nacional até se chegar ao consenso. Foram 17 anos de espera desde o primeiro projeto sobre o tema. Um dos pontos centrais é proporcionar ganhos mais justos para todos os elos no processo. “Um acordo quando é bom tem de ser bom pra todos. Vai dar muito mais clareza e transparência nesta relação e o produto final é o melhor pra todos”, destacou o presidente da CNA, João Martins.

Ao prever a regulamentação jurídica na relação contratual entre produtores integrados e agroindústrias integradoras, o PL define obrigações e responsabilidades dos dois elos da cadeia produtiva. O texto também prevê a criação de uma Comissão de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação de Integração (Cadec), que vai definir questões como os preços de referência a serem pagos nos contratos, os custos dos insumos, além de ser a instância competente para mediar questões relativas a rescisões ou interpretações de cláusulas contratuais.

As Cadecs serão compostas por representantes dos produtores integrados, da agroindústria integradora, e entidades setoriais. Cada cadeia produtiva que aderir ao projeto também deverá constituir um Fórum Nacional de Integração, formado por entidades dos produtores e agroindústrias, para definir diretrizes para o acompanhamento do sistema de integração. Serão determinados, ainda, preços de referência para o produtor, a partir de critérios técnicos e econômicos, definidos por grupos de trabalhos instituídos pelo Fórum, com prazo de seis meses para apresentar a metodologia de cálculo para a remuneração.

Outro ponto é o compromisso ambiental do projeto de integração, cuja responsabilidade será de todos os envolvidos. O PL também prevê mecanismos que evitem prejuízos ao produtor integrado em caso de pedidos de recuperação judicial ou falência. “Demos um passo importante e quando há consenso temos de comemorar. Agora estamos aptos a dar andamento ao projeto”, disse o presidente da Frente Parlamentar de Suinocultura, deputado Covatti Filho (PP-RS). “Agora é um novo tempo. Teremos mais transparência e a negociação será um jogo aberto”, afirmou o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), que deve ser o relator da proposta na Câmara.

Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, entre os pontos fortes do projeto, estão o compromisso com a sustentabilidade, a melhoria do ambiente de negociação e os ganhos que todos da cadeia produtiva poderão ter, independente dos preços mínimos. Para Ricardo Gouveia, representante da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o marco regulatório da proposta vai trazer avanços para a gestão do modelo de integração. Segundo o secretário de Meio Ambiente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Antoninho Rovaris, o projeto vai “melhorar a democratização dentro da cadeia integrada, além de dar mais segurança jurídica e evitar a ruptura unilateral de contratos”.

Integração Vertical – A integração vertical agroindustrial é a relação contratual na qual o produtor integrado se responsabiliza por parte do processo produtivo, como na produção de citros e tabaco ou criação de frango e suínos, repassando essa produção à agroindústria integradora, como matéria prima a ser processada e transformada no produto final.

Na avicultura, por exemplo, os produtores recebem da agroindústria pintos de um dia, ração, medicamentos e assistência técnica, criam os animais até a fase de abate e os repassam à agroindústria, que produz cortes e derivados de carne de frango.

Tramitação da matéria - O Projeto de Lei foi aprovado no Senado em setembro de 2013 e, atualmente, encontra-se pronto para votação no Plenário da Câmara dos Deputados. A matéria não tramitará nas comissões da Casa – uma vez que outros projetos similares já seguiram este caminho e foram apensados ao projeto aprovado pelos senadores.

O texto agora defendido pela CNA e demais entidades do setor produtivo e industrial representa importante avanço no relacionamento dos setores envolvidos com a questão. Já se passaram 17 anos desde a apresentação do primeiro projeto no Congresso – PL nº 4.379, de 1998 – e somente agora as divergências entre as partes sobre o conteúdo da matéria foram superadas, resultado da evolução da relação contratual somada à união e fortalecimento de produtores integrados de aves e suínos.

Fonte: Assessoria de Comunicação CNA

◄ Leia outras notícias
/* */ --