Publicado em: 20/02/2024 às 13:20hs
Em 2024, houve uma explosão no número de casos da dengue no estado. De acordo Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), até a última quinta-feira (15/2) o estado registrou 62.872 casos de dengue, um aumento de quase 700% frente à mesma época de 2003, quando ocorreram 7.912 notificações positivas. Já o número de mortes pela dengue é 500% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Então é fundamental a população manter um trabalho de prevenção contra a doença, não só nas cidades, mas também nas comunidades e propriedades rurais.
A melhor forma de prevenção da doença é o controle do mosquito transmissor, Aedes aegypti, que também ocorre no meio rural, especialmente em regiões muito próximas às cidades. Embora o raio de voo da fêmea do mosquito raramente ultrapasse os 200 metros em regiões com aglomeração de pessoas, nas áreas sem barreiras pode chegar a um quilômetro. Além disso, os mosquitos são transportados por diversos meios com ajuda involuntária do homem.
Na natureza, os ovos do Aedes aegypti podem sobreviver até 400 dias fora d’água. A engenheira ambiental Jane Terezinha Leal, coordenadora estadual de Saneamento Ambiental da Emater-MG, diz que tais características aumentam a necessidade dos proprietários rurais identificarem possíveis criadouros para evitar a proliferação do mosquito.
Jane chama a atenção para alguns pontos principais a serem observados. “Primeiro é em relação ao lixo da propriedade, qualquer resíduo que possa reservar água de chuva ou que armazene água parada, deve ser acondicionado em sacos. O lixo deve ser fechado e colocado num local com tampa, ou seja, nunca deve ficar aberto”, ressalta a coordenadora.
Outra questão é em relação a plantas e jardins da propriedade. Se tiver plantas com vasinhos ou pratinhos deve-se colocar areia ou fazer a limpeza desses pratinhos pelo menos uma vez por semana. “A limpeza desses recipientes deve ser feita utilizando bucha, sabão e um pouco de água sanitária”, explica a engenheira.
Jane destaca ainda que é importante verificar as calhas e lajes das casas, porque a água pode ficar acumulada nesses locais. “É bom fazer uma vistoria e retirar qualquer folha ou objetos que impeçam a saída de água. As caixas d’água também precisam ser mantidas sempre fechadas, mesmo uma abertura pequena é o suficiente para o mosquito entrar e deixar os ovos”, alerta.
No meio rural é comum as pessoas utilizarem tonéis, bombonas ou outros recipientes para armazenar água. “Se for possível fazer a limpeza desses depósitos semanalmente, ótimo. Já se não for possível, é preciso mantê-los fechados. As cisternas também devem ser fechadas. E toda a água para consumo humano deve ser clorada para evitar contaminações”, salienta a coordenadora. O bebedouro dos animais é mais um local que precisa de vistoria frequente.
Outra preocupação que o produtor deve ter é com o destino do esgoto doméstico rural. “Infelizmente ainda hoje mais de 70% das propriedades rurais têm uma fossa rudimentar ou há ainda aqueles que lançam o esgoto direto em córregos e no solo”, lamenta a coordenadora técnica estadual de Saneamento Ambiental da Emater-MG, Jane Terezinha Leal.
Segundo a coordenadora da Emater-MG, essa água suja que fica escorrendo atrai vetores de doenças como mosquito, pernilongos e ratos, pondo em risco a saúde das pessoas. “A destinação inadequada desse esgoto é uma fonte de contaminação da água e do solo, ou seja, os danos sociais e ambientais são enormes”, salienta a engenheira ambiental.
Jane Terezinha recomenda como solução a implantação de tecnologias de saneamento ambiental de baixo custo como a fossa de evapotranspiração (Tevap). Quem se interessar em como fazer um Tanque de Evapotranspiração vai encontrar todas as informações numa cartilha da Emater-MG. O material está disponível para download gratuito no site da empresa, na parte “Livraria Virtual”.
O ciclo de reprodução do Aedes pode variar de 5 a 10 dias, passando pela fase larvária até chegar à forma adulta. Febre, dores nas articulações, erupções ou irritação na pele são alguns dos sintomas mais comuns da dengue, zika e chikungunya. Em caso de agravamento dos sintomas, é preciso procurar atendimento médico.
Fonte: Assessoria de Comunicação – Emater-MG
◄ Leia outras notícias