Publicado em: 01/07/2026 às 11:35hs
O anúncio do Plano Safra 2026/2027 voltou a gerar insatisfação entre os produtores rurais. Na avaliação da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), o acréscimo de apenas R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior não é suficiente para responder às demandas do setor, especialmente diante do aumento dos custos de produção, dos juros elevados e do avanço do endividamento nas propriedades rurais.
Segundo a entidade, o principal desafio da agropecuária brasileira deixou de ser apenas a disponibilidade de crédito. O maior problema, atualmente, é a falta de medidas estruturais capazes de recuperar a saúde financeira dos produtores e garantir condições para que novos financiamentos realmente impulsionem investimentos e ampliem a produção.
De acordo com a Faesp, milhares de produtores enfrentam uma situação em que o patrimônio e a capacidade produtiva permanecem preservados, mas o fluxo de caixa está comprometido pelo acúmulo de dívidas, pela elevação dos custos operacionais e pelas perdas provocadas por eventos climáticos adversos.
Nesse cenário, a contratação de novos financiamentos deixa de representar uma oportunidade de expansão da atividade e passa a ampliar a pressão financeira sobre as propriedades rurais.
A federação defende que qualquer política de crédito voltada ao agronegócio precisa ser acompanhada por mecanismos eficientes de renegociação das dívidas acumuladas, permitindo que o produtor recupere sua capacidade de investimento.
Outro ponto destacado pela entidade é a ausência de uma política agrícola permanente. Segundo a Faesp, a definição anual das regras do Plano Safra dificulta o planejamento dos investimentos, especialmente em atividades que exigem horizontes de médio e longo prazo.
Os produtores aguardam, a cada safra, a divulgação das taxas de juros, dos limites de financiamento e da disponibilidade de recursos, sem previsibilidade sobre as condições que encontrarão nos anos seguintes.
Para a federação, o Brasil precisa substituir o modelo baseado em anúncios anuais por uma política agrícola estruturante, capaz de oferecer estabilidade, segurança jurídica e previsibilidade ao ambiente de negócios no campo.
A Faesp também ressalta que os recordes de produção registrados pelo agronegócio brasileiro não refletem, necessariamente, aumento da renda dos produtores.
Embora a produção nacional continue crescendo, grande parte do volume está concentrada em grandes propriedades, enquanto pequenos e médios produtores convivem com margens de lucro cada vez menores, aumento dos custos e maior dificuldade de acesso ao crédito.
No estado de São Paulo, esse segmento representa mais de 70% das propriedades rurais e, segundo a entidade, necessita de políticas públicas que considerem suas particularidades e fortaleçam sua competitividade.
Outro tema apontado como prioridade é a ampliação do seguro rural. Para a Faesp, a cobertura atual permanece insuficiente para proteger a maior parte da área cultivada no país, deixando os produtores vulneráveis a riscos como secas, geadas, enchentes e incêndios.
Sem instrumentos eficientes de gestão de risco, o produtor continua exposto às perdas provocadas por eventos climáticos extremos, realidade que se tornou cada vez mais frequente nos últimos anos.
Na avaliação da federação, o Plano Safra somente alcançará os resultados esperados quando vier acompanhado de uma agenda mais ampla de medidas estruturais, incluindo a reestruturação do endividamento rural, o fortalecimento do seguro agrícola, condições de crédito compatíveis com a realidade do setor e a criação de uma política agrícola permanente.
Para a entidade, o agronegócio brasileiro precisa de mais do que anúncios anuais de recursos. O setor demanda previsibilidade, estabilidade institucional e instrumentos capazes de garantir segurança aos produtores, fortalecer os investimentos e assegurar a continuidade da produção de alimentos, da geração de empregos e da contribuição do campo para a economia brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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