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OMC: EUA e Índia ampliam uso de restrições ao comércio

Em vigor- No documento de 102 páginas, que os negociadores dos países do G­20 já receberam, a OMC mostra que, de 1.583 barreiras impostas pelo grupo desde 2008, nada menos de 1.196 continuam em vigor


Publicado em: 24/06/2016 às 17:30hs

OMC: EUA e Índia ampliam uso de restrições ao comércio

O relatório de monitoramento da Organização Mundial do Comércio (OMC) revelou que os países do G­20 (grupo das maiores economias mundiais) colocaram em prática 145 novas medidas que afetam as trocas comerciais no período de outubro de 2015 a maio de 2016, um aumento de 10%.

Em vigor- No documento de 102 páginas, que os negociadores dos países do G­20 já receberam, a OMC mostra que, de 1.583 barreiras impostas pelo grupo desde 2008, nada menos de 1.196 continuam em vigor. Elas afetam 4,6% das importações mundiais, ou um volume de negócios de US$ 851,8 bilhões.

Liderança - Os Estados Unidos e a Índia, justamente os países com crescimento acima da média entre desenvolvidos e emergentes, lideram na adoção de medidas que restringem o comércio, o que eleva a tensão entre os parceiros. Nos últimos sete meses, os EUA, maior economia do mundo, notificaram 27 medidas à OMC.

Itens - Elas incluem investigações contra preços supostamente baixos de importações ou contra produtos subsidiados, assim como aumento de exigência de conteúdo local em certas compras governamentais. Washington é muito ativo em ações que visam os produtos siderúrgicos da China, o que elevou a tensão econômica bilaterais ao seu pior ponto em anos. A China tenta desvalorizar o yuan em relação ao dólar, reavivando queixas de companhias americanas de manipulação do câmbio para dar vantagem competitiva aos produtos chineses.

China - No ano passado, o governo americano deflagrou uma série de medidas contra importações procedentes da China. Conforme novos dados da OMC, durante todo o ano de 2015 os EUA abriram 42 investigações antidumping, mais que o dobro das 19 requeridas em 2014. Foi o país que mais impôs esse tipo de proteção comercial.

Campeão - Os EUA superaram o Brasil, que durante o período do real valorizado foi campeão no uso do mecanismo para frear a entrada maciça de importações, sobretudo da China. O gigante asiático é o mais visado por medidas de barreira comercial.

Investigações - De 200 investigações antidumping impostas pelos EUA desde 2008, quando começou a crise financeira global, metade foi aplicada a produtos chineses. Pequim não esconde a inquietação com essa situação.

Desaceleração - Ainda mais quando teme um aprofundamento da desaceleração econômica e tenta manter as fábricas do país ativas, para evitar novas turbulências no mercado que têm assustado os investidores internacionais.

Restrições - A Índia impôs 29 medidas restritivas nos últimos meses, numa mistura de aumento de tarifas de importação e de investigações antidumping ou antissubsídio. Os indianos tentaram compensar essas restrições com a redução de várias alíquotas.

Bens mais atingidos- Conforme a OMC, os bens mais atingidos por restrições comerciais em todo o globo são aço (50% das medidas), químicos (14%) e plásticos e borracha (7%). As exportações brasileiras de produtos siderúrgicos também vêm sofrendo com o aumento no número de barreiras. No dia 5 de maio, os EUA abriram duas novas investigações contra o aço do país. A delegação brasileira junto à OMC já contestou as queixas num comitê técnico.

Mais países- Também a Índia, África do Sul, Taiwan, Tailândia e Chile têm visado o produto brasileiro, em meio a um cenário de excesso global da produção e declínio da demanda. O relatório da OMC constata também que 100 medidas visando facilitar o comércio foram adotadas nos últimos sete meses no G­20, uma alta comparado a igual período do ano passado.

Apoio - Ao mesmo tempo, os governos do G­20 aumentaram o apoio a setores da economia. Houve um recorde dessas ações nos últimos meses, o que se compara com o número de medidas adotadas pelos governos logo após o início da crise global de 2008.

Beneficiários - Os principais beneficiários desses subsídios, que podem ou não ser condenados pela OMC (depende da avaliação dos juízes, que precisam ser acionados por algum país), têm sido programas de infraestrutura e os setores industrial, agrícola e de telecomunicações.

Perspectivas incertas- O comércio mundial tem perspectivas muito incertas em 2016 e nos próximos anos, segundo avalia a OMC. Para analistas, a projeção de crescimento de 2,8% do comércio neste ano parece otimista. As exportações da América do Sul continuarão em queda, pelo peso da recessão no Brasil.

Fonte: Portal Paraná Cooperativo

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