Publicado em: 25/03/2026 às 17:35hs
A agência Macfor e a Ana Rosado Comunicação divulgaram um posicionamento conjunto contestando a decisão da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) de cassar prêmios concedidos durante a 23ª Mostra de Comunicação do Agro. Segundo as empresas, a medida é inédita na história do evento e levanta questionamentos sobre critérios, transparência e condução do processo.
De acordo com o posicionamento, em um intervalo de poucos dias, a ABMRA determinou a cassação de duas premiações concedidas à Macfor. O case “O Ano das Cooperativas”, premiado com Bronze, teve o reconhecimento cancelado em março de 2026. Já o case “O Agro no Comando Delas”, vencedor do Ouro, ainda não teve o troféu entregue.
As agências destacam que a sequência de decisões é considerada inédita nos mais de 20 anos da premiação, especialmente por envolver temas estratégicos para o agronegócio, como cooperativismo e protagonismo feminino.
Segundo as empresas, os dois trabalhos foram regularmente inscritos, avaliados por um júri especializado e premiados em outubro de 2025.
O case “O Agro no Comando Delas” é descrito como um estudo proprietário que aponta crescimento de 79% na presença de mulheres em cargos de liderança no agronegócio entre 2017 e 2024. O material teria sido desenvolvido com base em dados reais, com apoio institucional e ampla divulgação em veículos de imprensa.
Além disso, o projeto também recebeu reconhecimento internacional ao conquistar prêmio no Prêmio Lusófonos da Criatividade, o que, segundo as agências, reforça sua legitimidade.
Um dos principais pontos de contestação diz respeito à exigência de consentimento formal do cliente. Segundo a Macfor, o regulamento da premiação prevê essa exigência, mas não especifica formato, prazo ou meio de comprovação.
As agências afirmam que houve participação ativa da cooperativa Coplacana na construção do case “O Ano das Cooperativas”, incluindo entrevistas, conteúdos e autorização para divulgação na mídia, o que configuraria consentimento material.
Em posicionamento próprio, a Coplacana confirmou que autorizou entrevistas e a utilização de conteúdo, mas negou qualquer envolvimento na decisão de cancelamento do prêmio.
A Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana) esclareceu que não atuou como denunciante nem como responsável pela cassação do prêmio Bronze.
A entidade informou que apenas respondeu a questionamentos formais e solicitou a retirada de seu nome de comunicados relacionados ao caso, reforçando que não teve participação direta no processo de cancelamento.
A cooperativa também destacou manter relação institucional transparente tanto com a Macfor quanto com a ABMRA.
No posicionamento, Macfor e Ana Rosado Comunicação apontam uma série de inconsistências na condução do processo por parte da organização da Mostra. Entre os principais pontos levantados estão:
As empresas destacam que, conforme o regulamento, as decisões do júri são soberanas e não passíveis de recurso, o que, segundo elas, não teria sido respeitado.
As agências também chamam atenção para a linha do tempo do caso. A premiação ocorreu em outubro de 2025, enquanto os primeiros questionamentos surgiram apenas em dezembro.
Já as decisões de cassação foram oficializadas em março de 2026, após solicitações de documentos com prazos considerados limitados pelas empresas.
Para a Macfor, esse intervalo levanta questionamentos sobre a motivação e a consistência das decisões adotadas.
Outro ponto mencionado no posicionamento é o ambiente competitivo do setor. A Macfor destaca que patrocina iniciativas que concorrem com a Mostra da ABMRA, o que, segundo a agência, pode ter influenciado o contexto das decisões.
As empresas afirmam que cabe ao mercado avaliar a relação entre os acontecimentos e o cenário competitivo da comunicação no agronegócio.
O caso tem gerado repercussão entre profissionais do setor, com manifestações públicas em apoio às agências e questionamentos sobre a decisão da entidade organizadora.
Segundo a Macfor, o episódio reflete uma discussão mais ampla sobre critérios, governança e transparência em premiações do agronegócio.
Diante do cenário, Macfor e Ana Rosado Comunicação informaram que estão adotando medidas jurídicas cabíveis.
As empresas também disponibilizaram documentação para veículos de imprensa, incluindo regulamento da premiação, comunicações com a organização, dados dos estudos e materiais publicados.
No comunicado conjunto, as agências destacam cinco pontos principais:
O caso deve continuar repercutindo no mercado de comunicação do agronegócio, especialmente diante da possibilidade de judicialização.
Além disso, o episódio amplia o debate sobre transparência, critérios de avaliação e governança em premiações do setor, em um momento em que temas como cooperativismo e protagonismo feminino ganham cada vez mais relevância no agro brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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