Gestão

Irrigação por Gotejamento: Três Mitos que Ainda Travam a Modernização no Campo

Técnica eficiente no uso da água e no aumento da produtividade ainda enfrenta resistência por falta de informação técnica entre produtores rurais


Publicado em: 06/03/2026 às 16:00hs

Irrigação por Gotejamento: Três Mitos que Ainda Travam a Modernização no Campo
Tecnologia Eficiente Ainda Enfrenta Desinformação

Reconhecida mundialmente pela eficiência no uso da água, a irrigação por gotejamento tem sido cada vez mais apontada como uma aliada da agricultura sustentável. No entanto, a desinformação ainda impede muitos produtores de adotar o sistema, atrasando investimentos e reduzindo o potencial produtivo das lavouras brasileiras.

De acordo com estudo da Esalq/MIDR, divulgado em 2024, o Brasil tem potencial de 53,4 milhões de hectares irrigáveis, um espaço amplo para expansão de métodos modernos e mais eficientes.

Para o engenheiro agrônomo Elidio Torezani, diretor da Hydra Irrigações, o principal obstáculo está em antigas percepções sobre o sistema. “O gotejamento evoluiu muito nos últimos anos. Hoje falamos de precisão, controle e eficiência, não de improviso”, afirma o especialista.

A seguir, confira três mitos sobre a irrigação por gotejamento que ainda geram resistência entre produtores rurais.

Mito 1 – O Gotejamento Não Supre a Demanda Hídrica no Verão

Um dos equívocos mais comuns é acreditar que o sistema de gotejamento não atende às necessidades das plantas em períodos de altas temperaturas. Na prática, o método aplica água diretamente nas raízes, o que minimiza perdas por evaporação e garante maior eficiência no uso dos recursos hídricos.

Segundo Torezani, não há limitação quanto ao volume de água que pode ser fornecido, desde que o projeto técnico seja corretamente dimensionado. “Elimina-se o excesso. A planta recebe exatamente o que precisa, na quantidade e no momento adequados”, explica.

Mito 2 – O Sistema É Restrito a Poucas Culturas

Outro mito recorrente é o de que o gotejamento só se aplica a determinadas culturas, como frutíferas e perenes. Hoje, a tecnologia é amplamente utilizada também em hortaliças, café, grãos e diversas lavouras temporárias.

“O projeto é adaptável à realidade de cada produtor, considerando o tipo de solo, o espaçamento entre plantas e as características da cultura”, destaca Torezani. O resultado é um sistema versátil, que pode ser implementado tanto em pequenas propriedades quanto em grandes áreas de produção.

Mito 3 – A Manutenção É Complexa e o Sistema Entope com Facilidade

A complexidade da manutenção é outro ponto que gera receio entre os produtores. No entanto, especialistas afirmam que, com dimensionamento correto e orientação técnica especializada, o gotejamento é um sistema estável, durável e de baixa incidência de falhas.

A filtragem da água e a escolha adequada dos componentes são essenciais para evitar entupimentos e prolongar a vida útil dos emissores. “Quando existe acompanhamento técnico e manejo preventivo, o sistema é confiável. Os problemas geralmente estão ligados à falta de orientação e instalação incorreta”, reforça Torezani.

Caminho para a Eficiência e Sustentabilidade

Com a crescente pressão sobre os recursos hídricos e a busca por maior produtividade, a irrigação por gotejamento surge como uma solução estratégica para o aumento da eficiência no campo. Além de reduzir o desperdício de água, o sistema permite controle preciso da fertirrigação e melhoria da qualidade das colheitas.

A superação dos mitos e o investimento em informação técnica são passos essenciais para que o Brasil amplie sua área irrigada de forma sustentável e competitiva no cenário global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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