Publicado em: 28/03/2016 às 15:30hs
A variedade de alta produtividade, que pode ser usada para consumo humano e produção de biocombustível, foi lançada na tarde da última segunda-feira (21), no espaço da Fepagro na 16ª edição da Expoagro Afubra, em Rio Pardo. Durante a manhã, o diretor-presidente da Fundação, Adoralvo Schio, participou da abertura oficial do evento, que contou com a presença do governador do Estado do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori; do secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Ernani Polo; de produtores rurais; entre outros. A Feira segue até quarta-feira (23), das 8h às 18h, com entrada gratuita.
Sartori saudou os 205 anos do município de Rio Pardo e disse estar alegre em ver o trabalho dos pequenos agricultores que, além de produzirem para seu próprio sustento, levam o alimento para a cidade. “É preciso acreditar e reconhecer a força desse setor”, declarou. O governador destacou que sabe das dificuldades enfrentadas, mas que é preciso ter coragem e determinação para vencê-las uma a uma. “A nossa gente é um capital humano extraordinário. Queremos que o desenvolvimento chegue a todas as regiões, para oferecer um Estado melhor, um poder público melhor”.
Espaço da Fepagro
As atividades da Fepagro este ano estão sendo feitas em um motorhome cedido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), com oito metros de comprimento e três metros de largura. A área demonstrativa com tecnologias desenvolvidas pela instituição é de 300 metros quadrados: 150 metros quadrados de três cultivares de feijão (Fepagro 26, Garapiá e Triunfo; e 150 metros quadrados de duas cultivares de sorgo (Fepagro RS 12 e Fepagro 19).
Pesquisadores esclarecem dúvidas do público sobre as pesquisas realizadas pela Fundação. No primeiro dia, pesquisadores da área vegetal abordaram temas como agrometeorologia, fruticultura, olericultura, apicultura, polinização e agroindústria. O engenheiro agrônomo e doutorando em Ciência do Solo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Lucas Pilon, quis saber sobre a subutilização da folha da batata-doce no meio rural. O pesquisador Zeferino Chielle explicou que ela pode ser usada de várias maneiras e falou um pouco sobre o agroprocessamento das folhas para fazer farinhas por exemplo.
À tarde, a pesquisadora Amanda Junges ministrou a palestra “A importância da agrometeorologia para a produção agrícola” no auditório da Afubra, durante a 1ª Reunião Ordinária Comitê Pardo. Ela falou da importância em planejar as safras com base nos prognósticos climáticos. “É preciso que os produtores parem e pensem antes de investir na agricultura”.
Amanda explicou que a agrometeorologia tem por objetivo colocar a meteorologia a serviço da agricultura, buscando produzir o máximo com a mínima utilização de recursos naturais e artificiais. Para isso, reúne os conhecimentos necessários à análise e entendimento das relações entre o ambiente e as atividades agrícolas, buscando também orientar ações de manejo.
Na última terça-feira (22), os pesquisadores estão disponíveis para tirar dúvidas sobre produção de feijão, sorgo e batata-doce. E no último dia (23) eles vão abordar produção e saúde animal. Em todos os dias há previsão do tempo no local.
Lançamento da BRS Fepagro Viola
Durante o lançamento, o pesquisador da Fepagro, Zeferino Chielle, contou que as atividades de melhoramento de batata-doce funcionam desde 1942 na Fepagro Vale do Taquari, com variedades sendo utilizadas pelos agricultores locais há muitas décadas. Em conjunto com a Embrapa, pesquisadores da Fundação coletaram amostras dessas variedades utilizadas pelos produtores. No processo de seleção, foi realizada a limpeza clonal e multiplicação dos materiais mais promissores em termos de vigor e produtividade.
Dos mais de 50 materiais testados a campo, a BRS Fepagro Viola se destacou pela alta produtividade e versatilidade. "É uma cultivar que responde bem a qualquer trato cultural e produz de 60 a 80 toneladas por hectare", detalhou Chielle. Outro diferencial da cultivar, de acordo com o pesquisador, é a diversidade no tamanho da raiz, que pode ter formatos diferentes e, por isso, diferentes aplicações. "Serve para consumo humano, para produção de biocombustível e até para ração animal, devido a seu alto valor energético", enumerou.
O diretor-presidente da Fepagro, Adoralvo Schio, ressaltou a importância da parceria com a Embrapa e afirmou que pesquisas precisam de tempo e de continuidade. “Precisamos somar esforços para cumprirmos nossa missão, que é dar ao produtor alternativas para melhorarem sua condição de vida”.
O chefe geral da Embrapa Clima Temperado, Clenio Pillon, comemorou o resultado depois de mais de 10 anos de pesquisa. Disse ser um momento simbólico porque materializa a ação das duas instituições. “É a primeira vez que lançamos uma cultivar de forma conjunta. E colocar à disposição mais uma alternativa com alto teor produtivo vai fazer toda a diferença para os agricultores”.
O secretário Polo celebrou a integração da Fepagro e da Embrapa. “Somos abençoados por poder transmitir informação e compartilhar novas tecnologias com os agricultores. O trabalho conjunto é, além de uma possibilidade, uma garantia para que possamos entregar para a sociedade o melhor trabalho, apesar das dificuldades”.
Participaram também do lançamento o diretor executivo de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Waldyr Stumpf Junior; os deputados estaduais Pedro Pereira e Zilá Breitenbach; o prefeito de Rio Pardo, Fernando Schwanke; o presidente da Afubra, Benício Werner; e o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Luis Antonio Suita de Castro.
No final, houve degustação de batata-doce frita.
Fonte: FEPAGRO
◄ Leia outras notícias