Publicado em: 04/09/2015 às 08:45hs
A explanação integrou o tema de debate “Produção Animal: Sustentabilidade dos Sistemas Produtivos”. Segundo Carvalho, o foco na produtividade em curto prazo, sem levar em consideração os impactos ambientais, tem sido apontado como causa primária da degradação dos sistemas agrícolas e da falta de sustentabilidade dos atuais modelos de produção. “Os processos de intensificação e de especialização que hoje predominam na agricultura contemporânea, e que estão associados a impactos ambientais negativos como poluição e aquecimento global, derivam da chamada Revolução Verde”.
Conforme Carvalho, há necessidade urgente de correção de rumo em relação à produção de alimentos no mundo. “Apesar de lentas, iniciativas nesse sentido são observadas pela expansão do sistema plantio direto, a integração da lavoura com a pecuária, a preocupação sobre a utilização racional da água e de agroquímicos, as exigências de maior competitividade e sustentabilidade, acesso a linhas de crédito sob contrapartida ambiental, entre outras”, explicou. Esses novos requerimentos aos sistemas de produção visam à redução dos custos, ao mesmo tempo em que se conservam atributos ambientais.
De acordo com o professor, o renovado interesse nos sistemas de produção integrados tem relação com o potencial deste conceito de produção em mudar, positivamente, a dinâmica biofísica e socioeconômica dos sistemas de produção. “É reconhecido pelo meio científico que os sistemas integrados sejam eficientes na ciclagem de nutrientes e energia e sejam mais sustentáveis e resilientes. Os sistemas integrados não são importantes somente pela produção de serviços ecossistêmicos, mas também porque predominam em boa parte das pequenas propriedades no mundo”. Carvalho conta que, dos pobres das áreas rurais, dois terços têm animais em suas pequenas propriedades e 60 % desses utilizam sistemas mistos de exploração. “Os sistemas integrados alcançam 2,5 bilhões de hectares no mundo, sendo responsáveis por mais de 50 % da produção mundial de alimentos”.
Portanto, continua Carvalho, associação de animais com cultivos agrícolas é rara opção de sistema de produção que associa produção de alimentos com redução de impactos ambientais. “A inclusão de forrageiras em sistemas agrícolas assegura inúmeras vantagens. Dentre elas destacam-se a manutenção das características físicas, químicas e biológicas do solo, o controle da erosão, o uso mais eficiente dos recursos ambientais. Além desses, há o aumento nos níveis de produção animal e vegetal, a rentabilidade maior e mais estável das culturas, o incremento no controle de plantas daninhas e a quebra de ciclos de pragas e doenças.”
Segundo o professor, o sucesso de um sistema integrado depende de diversos fatores que, por sua vez, são dinâmicos e interagem entre si. Existem alguns pré-requisitos básicos a serem priorizados na adoção dos sistemas integrados, entre eles: o plantio direto, a rotação/diversificação de cultivos, o uso de insumos e genótipos melhorados, o manejo correto dos pastos, “sempre preconizando a manutenção de estruturas de pasto que otimizem a colheita de forragem pelo animal e o mantenham sob intensidades de pastejo que não venham a comprometer o sistema”, destacou.
Fonte: Fepagro
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