Publicado em: 06/02/2026 às 10:45hs
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), em parceria com a Farsul, o Irga e a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), realizou nesta quinta-feira (5) uma coletiva em Porto Alegre para apresentar medidas conjuntas voltadas a mitigar a crise da cadeia do arroz no estado.
O objetivo é propor ações de curto e médio prazo para melhorar a competitividade, enfrentar desafios logísticos e financeiros, e explorar novos usos para a produção gaúcha.
Durante a coletiva, o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, detalhou sete propostas prioritárias:
O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, avaliou o cenário como um dos mais desafiadores das últimas décadas. Segundo ele, fatores como supersafra no Mercosul em 2025, entrada da Índia no mercado internacional, crédito restrito e juros altos contribuíram para uma queda expressiva nos preços, levando a endividamento significativo dos produtores.
“A indústria do Rio Grande do Sul perdeu parte do beneficiamento para Minas Gerais e São Paulo, que importam arroz do Paraguai. Esse desequilíbrio precisa ser corrigido”, destacou Nunes.
O dirigente reforçou que o setor trabalha para garantir simetria no Mercosul, corrigir assimetrias de preço e propor condições de ICMS mais favoráveis, aumentando a competitividade da cadeia.
Além das medidas de curto prazo, a Federarroz estuda novos destinos para o arroz, sem comprometer a alimentação humana, que seguirá sendo seu principal uso.
“Estamos avaliando a produção de etanol e outros produtos industriais, aproveitando a alta produtividade e qualidade do arroz gaúcho. Isso gera emprego, renda e valor agregado, especialmente na metade sul do estado”, explicou Nunes.
O estudo está sendo conduzido em parceria com a Embrapa Agroenergia, o Irga e empresas privadas do setor.
Na abertura da coletiva, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, ressaltou a importância da atuação conjunta das entidades:
“O produtor rural deixa de ser reativo e passa a ser propositivo, antecipando problemas e propondo soluções. Estamos mostrando o que se avizinha para a próxima safra, que terá concentração de venda no primeiro semestre de 2026, prejudicando toda a cadeia”, destacou.
Velho Lopes enfatizou que a união das entidades busca identificar gargalos, propor soluções e proteger a competitividade do setor, diante de desafios de mercado, clima e geopolítica internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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