Eleições 2026: Faesc cobra propostas para crédito rural, seguro e logística do agronegócio
José Zeferino Pedrozo defende que candidatos apresentem medidas de longo prazo para reduzir riscos da produção, ampliar a competitividade e dar previsibilidade ao produtor.
Publicado em: 25/09/2026 às 10:20hs
O agronegócio precisa ocupar espaço central nos programas econômicos apresentados nas eleições de 2026. A avaliação é de José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Senar/SC, que cobra das candidaturas propostas concretas para crédito rural, seguro, infraestrutura, tecnologia e comércio exterior.
Em análise sobre o cenário eleitoral, Pedrozo argumenta que o peso do setor na economia exige uma política agrícola capaz de proteger a renda do produtor diante dos riscos climáticos e das oscilações de mercado. Segundo os números apresentados pelo dirigente, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 169,2 bilhões em 2025, com superávit comercial de US$ 149,07 bilhões. Em Santa Catarina, o setor respondeu por mais de 65% das vendas externas estaduais.
Crédito rural precisa chegar com custo e prazo adequados
Para o presidente da Faesc, o debate sobre o Plano Safra 2026/27 não deve se restringir ao volume anunciado de R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial. O custo do financiamento, a disponibilidade de recursos com juros subsidiados e o momento em que o crédito chega ao produtor também determinam sua utilidade.
Pedrozo alerta que juros elevados, combinados ao endividamento acumulado, podem comprometer a competitividade das propriedades. Ele defende que o financiamento seja acompanhado por seguro rural, instrumentos de gestão de risco e políticas de apoio à comercialização.
A necessidade dessas medidas, segundo o dirigente, decorre da exposição da atividade a estiagens, chuvas excessivas, pragas, doenças e variações nos preços de insumos e produtos agrícolas.
Logística e fertilizantes entram na pauta eleitoral
Os custos fora da propriedade também devem fazer parte das propostas dos candidatos, afirma Pedrozo. Na avaliação dele, rodovias em más condições e limitações na oferta de ferrovias, hidrovias, armazéns e estruturas portuárias encarecem o transporte e reduzem a vantagem obtida pelo produtor no campo.
Outro ponto é a dependência de fertilizantes importados. Pedrozo afirma que o Brasil compra no exterior mais de 80% dos fertilizantes que utiliza e defende estímulos à produção nacional, à pesquisa e ao desenvolvimento de fontes alternativas para diminuir essa vulnerabilidade.
Tecnologia, sanidade e acesso a mercados
O presidente da Faesc também pede que pesquisa agropecuária, irrigação, agricultura de precisão, assistência técnica e conectividade rural cheguem a propriedades de diferentes portes. A manutenção da sanidade animal e vegetal, acrescenta, é essencial para preservar o acesso dos produtos brasileiros aos mercados.
Na área internacional, Pedrozo defende uma atuação voltada à abertura de mercados, à negociação de acordos e à superação de barreiras comerciais. Para ele, exigências ambientais e sanitárias devem vir acompanhadas de condições para que os produtores consigam cumpri-las sem perder viabilidade econômica.
A cobrança às candidaturas, conclui o dirigente, é por propostas claras e duradouras. Crédito, renda, seguro rural, logística, fertilizantes, tecnologia e comércio exterior precisam ser tratados como partes de uma política agrícola com planejamento e segurança jurídica, e não apenas por meio de respostas emergenciais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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