Publicado em: 09/08/2016 às 18:00hs
O ex-ministro da Agricultura e coordenador da GV Agro da Fundação Getúlio Vargas, cooperativista Roberto Rodrigues esteve em Curitiba na última quarta-feira (03/08), como um dos palestrantes convidados da Anutec Brasil, evento sobre tecnologia no setor de alimentação que acontece na Expo Unimed. Rodrigues falou sobre os efeitos da segurança alimentar, produção de alimentos, tecnologia no agronegócio na economia e cooperativismo. Para uma plateia composta de profissionais do setor e estudantes discorreu sobre a importância do agronegócio para a vida das pessoas.
Segurança alimentar - Segundo Rodrigues “não há paz onde não existe comida na mesa. A segurança alimentar é fundamental para todos os países e o Brasil é um dos principais protagonistas no cenário mundial”. Para Rodrigues, o Brasil já começou a montar uma estratégia e a mexer nos principais gargalos do agronegócio para atingir a meta traçada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com relatório divulgado em 2011 pela associação, o País precisa crescer 40% até 2020, em relação à oferta de alimentos, para que o mundo obtenha um crescimento de 20% no mesmo período. Neste caso, a OCDE justifica sua meta, ao levar em consideração as vantagens do Brasil em termos de terras cultiváveis, tecnologia sustentável e força produtiva.
Dificuldades - “Se me perguntarem se podemos e vamos crescer 40% a produção de alimentos, respondo: podemos, mas não vamos! Estamos de costas para algumas tendências mundiais como geração de energias alternativas, orgânicos e sem ouvir o que as futuras gerações querem para o futuro”. Rodrigues afirma que o país não tem estratégia em longo prazo. “O que temos é soluços estratégicos, espasmos de crescimento e ainda muitas amarras que impendem nosso maior desenvolvimento”. Ele cita alguns: crédito rural, juros, modernização e flexibilização das leis, carga tributária, infraestrutura, mercado futuro, corrupção, insegurança jurídica etc.
Cooperativismo – “Nenhum país no mundo fez um ajuste tecnológico tão grande e significativo no setor agro nos últimos 20 anos, como o Brasil. Nossas cooperativas têm sido protagonistas desses avanços em termos de eficiência na produção e geração de emprego e distribuição de renda”. Rodrigues disse que as cooperativas são “únicas neste cenário” e precisam saber aproveitar este fato.
Empresas únicas - Rodrigues que recentemente assistiu a uma palestra de Michael Porter nos Estados Unidos refletiu sobre o tema abordado: competição. Segundo o palestrante, hoje no mundo existe uma competição autofágica entre as empresas contemporâneas. “Onde uma compete com a outra para oferecer melhor produto, serviço ou preço, para isso tentam tomar mercado, roubar profissionais uma das outras sem pensar na sua própria existência”. Para ele a empresa do futuro é aquela que é única, que oferece um serviço ou produto único. Citou como exemplo algumas empresas que buscam determinado nichos, como de refrigerantes, smartphone, etc. Rodrigues frisa que neste cenário, as cooperativas podem ser consideradas “únicas”.
Princípios - Ele disse que refletiu se o setor rural pode ser único e chegou a conclusão que não. “Negociam commodities o mercado é um só e o preço é balizado internacionalmente”. Já as cooperativas que são regidas por valores e princípios internacionais tem esse diferencial não competitivo. “E um desses princípios, o sétimo, é do interesse pela comunidade, o qual, as empresas capitalistas não têm. Não quero entrar no mérito se elas estão certas ou erradas, e sim mostrar que as cooperativas são empresas diferentes, são únicas. Elas fazem com que esta relação direta com a comunidade seja irrecorrível, um princípio doutrinário e isso pode ser o grande trunfo do setor. As cooperativas podem e são únicas no mercado, junto aos consumidores pela forma que atuam”, frisa.
Comunicação – “As cooperativas tem um papel crescente no mundo inteiro para agregar valor, seja via distribuição, agroindustrialização ou exportação, para que o produtor, que esta dentro da porteira, possa também receber os lucros de todo o processo fora da porteira movimentado via agronegócio”. Roberto Rodrigues destaca que uma forma de se tornar mais presente na vida das pessoas que moram nas cidades, os consumidores é através de uma boa comunicação. “Na Itália já existe um senso comum, se é de cooperativa, é bom. Precisamos desenvolver um projeto de comunicação que o produto vendido seja qualificado por ser de cooperativa. Tem que separar o joio do trigo, ou seja, cooperativas que tem lideranças não adequadas às normas, aos princípios, tem que ser extirpadas do modelo. Só podemos fazer uma campanha ampla quando todos tiverem excelência, sem nenhum risco de colocar tudo a perder. A autogestão, que nasceu aqui no Paraná, uma ideia estimulada pela Ocepar, pode servir muito bem para esse processo”, lembrou.
Fonte: Portal Paraná Cooperativo
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