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Cooperativas do Paraguai investem em genética brasileira e planejam importar embriões da raça Girolando

Produtores do Chaco Paraguaio apostam na genética do Girolando para dobrar produtividade leiteira e fortalecer o setor de laticínios


Publicado em: 23/02/2026 às 16:00hs

Cooperativas do Paraguai investem em genética brasileira e planejam importar embriões da raça Girolando
Paraguai mira genética brasileira para impulsionar produção de leite

Em busca de maior eficiência e produtividade no setor leiteiro, cooperativas do Paraguai anunciaram planos para importar embriões da raça Girolando, desenvolvida no Brasil e reconhecida mundialmente pela alta adaptabilidade e desempenho em ambientes tropicais.

A iniciativa parte das três principais cooperativas da região do Chaco Paraguaio — Chortitzer, Fernheim e Neuland — que enviaram, na última semana, uma comitiva técnica ao Brasil para conhecer de perto os programas de melhoramento genético e seleção da raça Girolando.

A visita faz parte de um projeto de modernização e expansão da produção leiteira na região, marcada por baixa pluviosidade e altas temperaturas, condições que desafiam o desempenho de raças europeias menos adaptadas.

Meta é dobrar produtividade com uso de embriões Girolando

Segundo as cooperativas, o objetivo é dobrar a média de produção de leite das vacas do Chaco, que atualmente gira em torno de 3.200 quilos por lactação, chegando a 6.000 quilos/lactação com o uso da genética Girolando.

Essa será a primeira importação de embriões da raça Girolando para o Paraguai, um marco na integração tecnológica entre os dois países. A expectativa é que o cruzamento traga animais mais produtivos, resistentes ao calor e adaptados ao manejo local, fatores essenciais para o avanço da pecuária leiteira na região.

De acordo com o Index Asbia Embriões 2025, o Girolando é atualmente a raça leiteira com maior produção de embriões no Brasil, somando quase 100 mil unidades somente no primeiro semestre de 2025.

Raça Girolando: destaque brasileiro na pecuária leiteira tropical

Criada a partir do cruzamento entre as raças Gir e Holandesa, o Girolando tornou-se referência na pecuária tropical, unindo alta produtividade de leite com rusticidade e adaptação a climas quentes.

Segundo o superintendente executivo da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (ABCGIL), Celso Menezes, o sucesso da raça se deve à sua versatilidade:

“O Girolando consolidou-se no Brasil por manter bons níveis de produção tanto em sistemas de pasto quanto em confinamento. É uma genética eficiente, ideal para regiões tropicais e condições semelhantes às do Chaco”, afirmou Menezes.

A ABCGIL, sediada em Uberaba (MG), atua em parceria com o Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG), que tem contribuído para o avanço tecnológico e o controle de qualidade da raça no país.

Comitiva paraguaia visita centros de melhoramento genético em Uberaba

A delegação das cooperativas paraguaias foi recebida em Uberaba, no dia 12 de fevereiro, por representantes da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. Participaram da visita os médicos-veterinários Eduardo Knelsen, Gabriel Scholler, Mathias Giesbrecht, Rudolf Klassen, além do consultor brasileiro Fernando Vilela, da empresa IntelPec.

Durante o encontro, os profissionais conheceram as tecnologias de seleção genética, características produtivas e reprodutivas dos animais, e os sistemas de manejo e produção utilizados em propriedades brasileiras.

O coordenador do PMGG, Edivaldo Ferreira Júnior, apresentou os resultados obtidos por produtores nacionais que utilizam embriões de alto desempenho e genética controlada, reforçando o potencial da raça como modelo de produtividade e sustentabilidade.

Integração agropecuária e contexto econômico

O movimento de internacionalização da genética brasileira acontece em um momento de expansão do agronegócio e aumento da demanda por eficiência produtiva em toda a América do Sul.

Segundo dados atualizados do Banco Central do Brasil (BCB), o crédito rural brasileiro alcançou R$ 316,57 bilhões entre julho de 2025 e janeiro de 2026, um crescimento de 6% em relação à safra anterior. Do total, R$ 307,11 bilhões já foram efetivamente liberados aos produtores.

Esses investimentos reforçam a liderança do Brasil na exportação de genética e tecnologias agropecuárias, com o setor leiteiro se destacando como um dos principais beneficiados por políticas de crédito, inovação e sustentabilidade no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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