Publicado em: 13/05/2026 às 11:45hs
O avanço das importações de lácteos no Brasil voltou a acender o alerta no setor leiteiro nacional. O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) encaminhou nesta terça-feira (12) um ofício ao governo federal cobrando medidas emergenciais de apoio à cadeia produtiva do leite e maior diálogo com produtores, cooperativas e indústrias.
O documento foi direcionado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, o principal foco de preocupação é o crescimento constante das importações de leite em pó, queijo e derivados vindos principalmente da Argentina e do Uruguai.
De acordo com a entidade, os produtos importados chegam ao mercado brasileiro com preços abaixo do custo médio de produção nacional, ampliando a pressão sobre produtores e indústrias brasileiras.
“Precisamos de uma política clara que permita igualdade de condições para competir com os produtores do Uruguai e da Argentina”, afirmou Prestes.
O setor defende ações voltadas à redução dos custos de produção, apoio sanitário aos rebanhos e criação de mecanismos que ampliem a competitividade da cadeia leiteira nacional.
Conforme dados apresentados pelo Conseleite, entre janeiro e abril de 2026 o Brasil importou aproximadamente:
O volume equivale a cerca de 709 milhões de litros de leite, representando aproximadamente 11 dias da produção nacional. No caso do Rio Grande do Sul, o montante corresponde a cerca de 60 dias de produção estadual.
O avanço das importações ocorre em um momento de forte pressão econômica sobre a atividade leiteira, especialmente entre pequenos produtores e agricultores familiares.
O Conseleite argumenta que a falta de políticas efetivas para conter o desequilíbrio concorrencial vem acelerando a redução do número de produtores de leite no país.
Segundo Prestes, dados do IBGE e da ASCAR/Emater-RS mostram crescimento no fechamento de propriedades rurais e diminuição da atividade leiteira em diversas regiões produtoras.
“O Estado brasileiro assiste de braços cruzados à redução no número de produtores e ao fechamento de propriedades. Até agora, nenhuma das políticas anunciadas foi realmente eficaz para enfrentar esse problema”, criticou.
O dirigente também defendeu a discussão de mecanismos de salvaguarda comercial para limitar os impactos da entrada de produtos importados no mercado brasileiro.
“Enquanto não enfrentarmos a raiz do problema, que é a entrada crescente de leite importado, continuaremos convivendo com uma crise permanente no setor”, afirmou.
Outro ponto destacado pelo Conseleite envolve as diferenças sanitárias, ambientais, tributárias e regulatórias entre Brasil, Argentina e Uruguai.
Segundo o conselho, essas diferenças criam um ambiente de competição desigual, favorecendo os países vizinhos na disputa pelo mercado brasileiro.
“O produtor nacional acaba arcando com custos maiores e exigências mais rigorosas, enquanto compete com produtos vindos de países que operam sob regras diferentes”, ressalta o documento.
Apesar das dificuldades enfrentadas pela cadeia produtiva, o Brasil permanece entre os maiores produtores de leite do planeta, com produção anual próxima de 35 bilhões de litros.
Segundo dados do IBGE e da Embrapa, a atividade leiteira está presente em mais de um milhão de propriedades rurais brasileiras, sendo uma das principais atividades da agricultura familiar no país.
O setor, no entanto, teme que o avanço das importações e a falta de políticas estruturais possam comprometer a sustentabilidade econômica da produção nacional nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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