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Congresso politiza discussão sobre agronegócio

Com críticas ferrenhas ao governo Dilma Rousseff (PT) e pensando na maior eficiência das cadeias produtivas e sinergia da agricultura empresarial e familiar, aconteceu ontem, no Sheraton WTC Hotel, em São Paulo, o 15º Congresso Brasileiro de Agronegócio


Publicado em: 16/08/2016 às 18:50hs

Congresso politiza discussão sobre agronegócio

O evento, altamente politizado, contou com a presença de 800 participantes, entre governadores, deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), presidentes de cooperativas, analistas econômicos, ex-ministros da agricultura e diversos representantes de peso do setor, de diversas instituições.

Uma das participantes mais aclamadas pelo público presente foi a senadora Ana Amélia Lemos (PP/RS), que trabalhou por cerca de cinco anos para a criação da lei das integradoras e integrados, aprovada recentemente, que responde a grande parte da cadeia de aves e suínos do País. Ela disse que hoje o agronegócio tem levado o Brasil "nas costas" e não houve uma força no cargo da presidência, recentemente,para liderar esse importante momento. "O agronegócio sobe de elevador, enquanto a burocracia, de escada."

O tema do congresso, que contou com vários painéis, foi "Liderança e Protagonismo". O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Côrrea Carvalho, citou alguns pontos que ele considera importantes para melhorar a situação atual do setor. "Temos que sair do ciclo vicioso de intervenção do governo. Precisamos de mais acordos comerciais, maior defesa contra subsídios e menor Custo Brasil. A partir de agora até o final do ano acredito que teremos resultados melhores, apesar de não escaparmos do PIB negativo", salientou ele, se referindo à expectativa do desfecho do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Nesta mesma linha do que "o melhor está por vir", nitidamente se referindo ao governo de Michel Temer (PMDB), o economista membro do Conselho Consultivo da Federação Brasileira de Bancos, José Roberto de Mendonça de Barros, disse que o setor vive uma transição de um sistema de poder para outro, que "há algo melhor pela frente, mas que precisa ser construído".

Para isso, ele elencou alguns pontos estratégicos para um projeto de agronegócio mais eficiente. O primeiro deles é um problema antigo, mas que precisa ser resolvido urgentemente, ligado à infraestrutura e políticas tributária e trabalhista. O segundo é pensar nas cadeias produtivas de forma mais interligada. "No mundo moderno em que vivemos, necessitamos de uma integração clara e completa dos processos. A divisão de agricultura, indústria e serviço não vale mais a pena", decretou.

O economista também disse que o terceiro ponto o País cumpre bem, que é a firmeza em utilizar tecnologias de agricultura de precisão. "Também precisamos aumentar nossos produtos industrializados para exportação, avançar em sustentabilidade e acabar com a falsa dicotomia entre a pequena e grande produção."

O deputado federal Marcos Montes, presidente da FPA, também bateu na tecla de fortalecimento da agricultura familiar. "Hoje a agricultura, independentemente do tamanho da propriedade, é um só negócio no País", complementou.

Fonte: Folha de Londrina

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