Publicado em: 18/03/2026 às 19:40hs
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil participou, na terça-feira (17), da reunião semanal da Frente Parlamentar da Agropecuária, em Brasília, para discutir os impactos do conflito no Oriente Médio sobre o agronegócio brasileiro.
O encontro contou com a presença do diretor técnico Bruno Lucchi e da diretora de Relações Internacionais Sueme Mori, que acompanharam os debates sobre os possíveis desdobramentos da crise.
Durante a apresentação, Bruno Lucchi destacou que a escalada das tensões no Oriente Médio — especialmente em áreas estratégicas como o Estreito de Ormuz — pode gerar impactos relevantes nos custos de produção agropecuária.
A região concentra cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás natural, além de responder por até 35% do comércio mundial de amônia e ureia e aproximadamente 30% dos fertilizantes negociados globalmente.
Segundo a CNA, eventuais interrupções no fluxo marítimo na região podem afetar diretamente o mercado internacional, elevando custos de frete, seguros e operações logísticas.
Esse cenário tende a encarecer a chegada de insumos essenciais ao Brasil, especialmente fertilizantes. Atualmente, o país importa cerca de 12% desses produtos do Oriente Médio, sendo que aproximadamente 35% da ureia utilizada tem origem na região.
De acordo com a entidade, os efeitos do conflito já começam a ser sentidos. Os preços da ureia registraram alta entre 30% e 35% desde o início das tensões.
No mercado de energia, os preços internacionais do petróleo chegaram a subir até 51%, pressionando diretamente os custos de combustíveis como o diesel, fundamental para as operações no campo e no transporte de cargas.
A CNA alerta que o cenário tende a ampliar a volatilidade nos mercados, impactando preços, contratos futuros e o câmbio.
Esse ambiente de incerteza dificulta o planejamento do produtor rural, especialmente no momento de decisão sobre a compra de insumos e definição de estratégias para a safra.
Durante a reunião, a CNA apresentou uma série de propostas para mitigar os impactos sobre o agronegócio brasileiro. Entre as medidas sugeridas estão:
Diante das incertezas geopolíticas e seus reflexos sobre insumos, energia e logística, o agronegócio brasileiro entra em um período de maior atenção.
A evolução do conflito no Oriente Médio deve continuar sendo um fator determinante para os custos de produção e para a dinâmica dos mercados nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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