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COMÉRCIO MUNDIAL: Azevêdo quer segundo mandato na OMC e vê oportunidades para novos acordos

O diretor­geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) anunciou na última quarta-feira (27/07) aos países­membros que está disponível para um segundo mandato, que ele vê como um período de oportunidades e que pode ajudar a combater o sentimento antiliberalização de segmentos de alguns países


Publicado em: 02/08/2016 às 15:00hs

COMÉRCIO MUNDIAL: Azevêdo quer segundo mandato na OMC e vê oportunidades para novos acordos

O diretor­geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, anunciou nesta quarta-feira (27/07) aos países­membros que está disponível para um segundo mandato, que ele vê como um período de oportunidades e que pode ajudar a combater o sentimento antiliberalização de segmentos de alguns países.

Rumos - Enquanto o primeiro mandato tem sido um resgate da organização, que vivia momentos de descrédito e de fracassos sucessivos em mais de dez ano, Azevêdo estima que o segundo período servirá para definir rumos do sistema multilateral, um mandato de oportunidades com potencial de novas negociações em várias áreas e com formatos diferentes.

Flexibilidade - "O futuro da OMC dependerá de nossa capacidade de ser flexível, porque são 163 países", disse ao Valor. "Temos que encontrar maneiras de negociar que reconheçam as diferentes circunstâncias desses países todos. Isso é possível. O Acordo de Facilitação de Comércio é uma prova, incluindo um pilar de cooperação técnica", afirmou.

Apoio - Azevêdo não é marinheiro de primeira viagem. Se ele deu o passo para disputar novo mandato de quatro anos, é porque várias delegações já manifestaram apoio sem ter sido pedido. Além disso, certamente há indicações de atores importantes de que a candidatura será bem recebida. Nenhum outro pretendente apareceu e parece difícil que isso ocorra.

Páreo duro - O páreo seria duro diante dos resultados alcançados nos últimos três anos. Primeiro foi o Acordo de Facilitação de Comércio em Bali (Indonésia) e depois a proibição completa de subsídios na exportação de produtos agrícolas após mais de 50 anos dessa proibição ter sido imposta para países industrializados.

Contestação - Azevêdo contesta acusações de certos setores nos EUA e na Europa de que o comércio é a causa de milhões de desempregados em vários países. Ele menciona um estudo que mostra que até 90% dos empregos no setor industrial nos EUA foram perdidos por causa de novas tecnologias, inovação ou melhora de eficiência. "Não tem nada a ver com importação ou concorrência no comércio", disse.

Ataques - Indagado sobre os ataques específicos do candidato republicano à presidência dos EUA, Donaldo Trump, que considerou a OMC um "desastre", Azevêdo disse que não iria entrar no debate e que não era candidato.

Mal - No momento, o comércio internacional vai mal. "Estamos num momento particularmente sensível com volatilidade econômica, baixo crescimento e frágil expansão do comércio. Os últimos cinco anos têm sido o período de maior fraqueza do comércio desde os anos 80", afirmou o diretor­geral.

Constatação - Enquanto isso, a constatação na OMC é a de que EUA e União Europeia, que transbordam de entusiasmo com mais liberalização no momento, continuam apresentando propostas para negociação, alimentando uma agenda de intenções dos demais, que inclui comércio eletrônico, facilitação de investimentos e serviços, corte de subsídios à pesca e barreiras não tarifárias.

Seleção - A abertura do processo de seleção para diretor da OMC só deve ser lançado em outubro, para o mandato que começará em setembro do ano que vem. Mas o tema acabou sendo levantado ontem na OMC, primeiro pelo representante do México, num item da agenda do Conselho Geral que não tinha nada a ver com a questão. O mexicano afirmou que, na primeira eleição, o México não votou em Azevêdo, porque tinha candidato próprio, mas achava que ele tinha feito "um trabalho fantástico" e deve ser reconduzido para um segundo mandato, se quiser.

Mensagem - Na sua vez de falar, o secretário­geral do Itamaraty e até recentemente embaixador na OMC, Marcos Galvão, também transmitiu a mensagem do governo brasileiro para Azevêdo buscar o segundo mandato, e que terá todo o empenho de Brasília para que seja bem­sucedido.

Reação - O diretor da OMC reagiu dizendo que, para evitar especulações, anunciava que estava disponível, dependendo dos membros da entidade, e pediu para continuarem a discutir os itens da agenda.

Fonte: Portal Paraná Cooperativo

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