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Código Florestal: especialistas defendem reconhecimento global da preservação no agro brasileiro

Painel do GAFFFF 2026 debateu competitividade internacional, remuneração pela conservação e uso de tecnologia para comprovar práticas ambientais nas propriedades rurais


Publicado em: 05/10/2026 às 15:00hs

Código Florestal: especialistas defendem reconhecimento global da preservação no agro brasileiro

Tornar as exigências do Código Florestal brasileiro mais conhecidas no exterior pode fortalecer a posição do país nas negociações comerciais e na agenda global de sustentabilidade. Essa foi uma das principais discussões do painel “O Código Florestal para o Mundo: A Tradução da Sustentabilidade Brasileira”, realizado no segundo e último dia do Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, em São Paulo.

Com mediação da jornalista Kelly Godoy, o debate reuniu representantes do setor público e especialistas para discutir como comunicar as obrigações ambientais dos produtores, ampliar o reconhecimento da conservação e preservar a competitividade do agronegócio.

Instrumentos como a Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente (APPs) estiveram no centro da discussão. Conforme os dados apresentados no painel, a vegetação nativa mantida em propriedades rurais corresponde a 33,2% do território brasileiro.

Reconhecimento das regras ambientais nas relações comerciais

O ex-ministro da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, defendeu uma atuação mais firme do Brasil nos fóruns internacionais para apresentar as exigências ambientais impostas à produção nacional.

Na avaliação dele, as diferenças entre as regras brasileiras e as adotadas em outros países precisam integrar as discussões sobre comércio e sustentabilidade. Rebelo citou o exemplo de produtores de Santarém, no Pará, que podem destinar apenas parte de suas propriedades à produção, em contraste com condições encontradas por agricultores da Argentina e dos Estados Unidos.

Para o ex-ministro, o debate deve conciliar preservação ambiental e condições competitivas, garantindo que as obrigações assumidas pelo produtor brasileiro sejam consideradas nas relações internacionais.

Remuneração pela conservação e créditos de carbono

Ricardo Rosário, assessor especial da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, destacou que o país enfrenta exigências internacionais crescentes relacionadas ao desmatamento e às emissões de gases de efeito estufa.

Segundo ele, um dos desafios está no reconhecimento da conservação realizada por obrigação legal. Essa característica pode dificultar seu enquadramento como ação adicional para a geração de créditos de carbono.

Rosário defendeu o avanço do princípio do protetor-recebedor, pelo qual quem conserva a natureza deve ser remunerado por esse serviço. Em sua avaliação, dar visibilidade às práticas ambientais da agricultura brasileira é necessário para ampliar o reconhecimento do país na agenda de sustentabilidade.

Tradução do Código Florestal aproxima legislação e sociedade

Para Dora Zanin, sócia proprietária e CEO da ZANIX e diretora institucional da DATAGROSAT, a comunicação é uma etapa decisiva para tornar a legislação ambiental compreensível a públicos de outros países e à população urbana.

Ela relatou que, há cerca de três anos, identificou a falta de uma tradução do Código Florestal, o que motivou uma iniciativa para ampliar o acesso ao conteúdo.

A proposta, segundo Dora, vai além da tradução: envolve apresentar as regras em linguagem acessível, com imagens e ilustrações que ajudem a explicar o papel das propriedades rurais na manutenção da vegetação nativa.

Essa abordagem busca reduzir a distância entre o texto jurídico e o entendimento sobre as obrigações ambientais cumpridas no campo.

Tecnologia pode melhorar a precisão do monitoramento ambiental

Dora também destacou a contribuição das tecnologias de monitoramento para verificar exigências e demonstrar a conformidade ambiental das propriedades.

Segundo ela, alterações identificadas por sistemas de observação nem sempre representam desmatamento. Uma área agrícola após a colheita, por exemplo, pode gerar um apontamento equivocado.

O aperfeiçoamento dessas ferramentas, na avaliação da executiva, pode aumentar a precisão dos registros e reduzir interpretações incorretas sobre as atividades dos produtores.

GAFFFF reúne debates sobre o futuro do agronegócio

Organizado pela DATAGRO, o GAFFFF combina conteúdo técnico, negócios, gastronomia e entretenimento para aproximar o agronegócio da população urbana e discutir temas estratégicos para o setor.

A programação da edição de 2026 previa cerca de 330 palestrantes de mais de 20 países e a participação de 230 empresas apoiadoras e expositoras, além de atividades equestres, rodeio, gastronomia e apresentações musicais.

Entre as iniciativas anunciadas está a elaboração do Consenso do Agronegócio, documento previsto para reunir, após o evento, as principais conclusões dos debates.

Fonte: Portal do Agronegócio

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