Publicado em: 02/08/2024 às 10:40hs
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou-se, por meio de um ofício enviado ao governo, contrária à proposta de ampliação em 500 mil toneladas da cota de importação de trigo com alíquota zero do Imposto de Importação.
A proposta, apresentada pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) em junho, foi encaminhada à Secretaria-Executiva da Camex e ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Atualmente, a cota vigente é de 750 mil toneladas, e o processo está em fase de consulta pública.
No documento enviado ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Geraldo Alckmin, e ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o presidente da CNA, João Martins, argumenta que a medida não se justifica à luz do comportamento recente da produção de trigo no país.
A CNA destaca que, em 2022, o Brasil alcançou um recorde na produção de trigo, e em 2023, manteve o abastecimento do mercado, mesmo diante de adversidades climáticas. Para 2024, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de 8,95 milhões de toneladas, um aumento de 11% em relação à safra anterior.
Adicionalmente, a CNA lembra que a Argentina, principal fornecedora de trigo para o Brasil e responsável por 73,5% das importações brasileiras, prevê um aumento de 14% na produção e de 35,3% nas exportações neste ano. O Brasil não aplica tarifas de importação ao trigo argentino, em razão do país vizinho integrar o Mercosul.
"A medida, além de não exercer qualquer efeito sobre os preços ao consumidor, que já estão em retração, representaria um fator de redução de competitividade e de sustentabilidade econômica para os produtores de trigo no Brasil", conclui a CNA no ofício.
Fonte: Portal do Agronegócio
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