Publicado em: 03/06/2024 às 08:30hs
A promoção de iniciativas de descarbonização e o cumprimento das metas de redução de emissões no Brasil dependem fundamentalmente da regulamentação do mercado de crédito de carbono, que ainda não está formalmente estabelecido no país. Segundo Maria Izabel Ramos, gerente de Mercados de Carbono da Petrobras, a regulamentação deste mercado pelo Legislativo é essencial e o projeto de lei que trata do assunto já tramita no Senado. "A janela parlamentar é curta devido às eleições municipais de 2024, o que torna urgente a votação deste projeto", afirmou Ramos durante o painel "Riscos e Oportunidades do Mercado Regulado de Carbono no Brasil", realizado no evento ESG Energia & Negócios, organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) na última terça-feira (28).
Tamara Fain, sócia da Catavento Consultoria, destacou que países com legislação clara podem gerar até US$ 75 bilhões anualmente com a venda de créditos de carbono, através de um órgão regulador e transações entre empresas. Fain sublinhou a urgência da regulamentação no Brasil, especialmente considerando a intenção da União Europeia de taxar produtos com base em seu próprio mercado de créditos de carbono, o que afetaria significativamente o custo de bens e serviços brasileiros.
Marina Westrupp Alacon Rayis, coordenadora de Sustentabilidade do Grupo Ultra, e Jeronimo Roveda, diretor da Aliança Brasil NBS, concordam que a ausência de regulamentação gera insegurança jurídica. Eles defendem que a transferência dos custos do carbono ao consumidor final, como feito no Uruguai, não deve ser implementada no Brasil.
O mercado de seguros está se adaptando para atender às novas demandas e necessidades da agenda ESG, como foi destacado em um painel na manhã do segundo dia do ESG Energia e Negócios. André Luiz Campos de Andrade, Subsecretário de Planejamento de Longo Prazo do Ministério do Planejamento e Orçamento, explicou como eventos climáticos vêm impactando a proteção dos ativos. "Compreender o cenário atual e planejar a recuperação do país, estados e empresas é essencial e precisa ser feito de maneira conjunta", afirmou.
Fernando Prado, CCO da Galcorr Seguros, enfatizou que a precificação dos seguros e a atenção à agenda ESG estão mudando devido às ocorrências climáticas. Prado destacou que muitas seguradoras recusam atender empresas que não adotam práticas ESG. "Atualmente, o ESG deixou de ser um adicional. Se não tiver uma pauta ESG, não há seguro", concluiu.
A produção de campos maduros permanece estratégica para o setor de óleo e gás brasileiro, desempenhando um papel crucial no desenvolvimento regional. Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro, ressaltou que um dos grandes desafios da indústria é tornar esses ativos produtivos. "Temos 600 mil empregos diretos e indiretos na cadeia produtiva, fortemente impactados pelos campos maduros e essenciais para os fornecedores", destacou no painel sobre a revitalização de campos maduros.
A Petrobras reafirmou o valor estratégico da Bacia de Campos, prevendo investimentos de US$ 22 bilhões e a perfuração de 135 novos poços, conforme seu Plano Estratégico. Denis Krambeck Dinelli, Gerente Geral de Concepção de Projetos de Águas Profundas da Petrobras, confirmou que nos últimos 3,5 anos foram colocados em operação 47 novos poços na Bacia de Campos, com uma produção de aproximadamente 200 mil barris/dia em 2023.
Roberto Ardenghy, presidente do IBP, encerrou o evento ressaltando a geração de conhecimento durante os debates e os desafios e responsabilidades que o setor enfrenta na jornada ESG, abordando mercados de carbono, mitigação de emissões e uma transição energética justa e inclusiva.
A 2ª Edição do ESG Energia e Negócios consolidou o sucesso da edição anterior, atraindo mais de 900 participantes de 14 estados brasileiros ao longo de dois dias de debates. O evento teve uma audiência majoritariamente feminina (61%) e contou com participantes predominantemente na faixa etária de 31 a 50 anos, dos quais cerca de 60% ocupam cargos de gestão na indústria. Foram mais de 30 horas de conteúdo, com salas cheias e um público engajado nos debates.
Organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), o ESG Energia e Negócios teve o patrocínio da Petrobras, Equinor, ExxonMobil, Ipiranga, RepsolSinopec, Shell, Transpetro, Karoon Energy, Naturgy, OceanPact, Ocyan, SLB One Subsea, Shape e Subsea7.
Fonte: Portal do Agronegócio
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