Publicado em: 18/01/2016 às 09:15hs
A Embrapa Agroindústria de Alimentos participou da inauguração da COOPAFIT – Cooperativa dos Agricultores Familiares de Itaguaí, ocorrida na quinta-feira (07/01) durante evento que contou com a participação de autoridades locais, como o prefeito Weslei Pereira; o secretário de Meio Ambiente e Agricultura Hamilton Medeiros; os contra-Almirantes da Marinha do Brasil, Newton Almeida Costa Neto e Paulo Cesar Colmenero; o diretor da Odebrecht, Fábio Gandolfo; e a supervisora local da Emater-Rio, Patrícia Kajishima. “Essa iniciativa tem tudo para chamar ainda mais atenção, pois o nosso país não tem o costume de se cooperativar. Quanto mais forte for a COOPAFIT, mais independente será e, consequentemente, mais recursos irá captar, acelerando o desenvolvimento da agricultura de Itaguaí”. Falou a todos os presentes, o prefeito Weslei Pereira. A expectativa é de que a organização de produtores possa fortalecer e aumentar a produção de cultivos biofortificados no município.
O presidente da COOPAFIT, Mário Grijó, um dos primeiros agricultores a produzir variedades biofortificadas em Itaguaí, explicou como as cultivares melhoradas estarão sendo inseridas dentro do trabalho da cooperativa. “Ao todo somos 23 cooperados, com 10 produzindo biofortificados. O restante já demonstrou interesse e iremos procurar manter a biofortificação dentro da nossa política agrícola, pois ficamos muito satisfeitos com os resultados alcançados por esses alimentos, tanto em termos agronômicos, quanto nutricionais, seja dentro das escolas municipais, ou nas nossas áreas de produção familiar. Tudo é claro, dá ainda mais credibilidade com o apoio da Embrapa e do próprio prefeito.”
Em 2015, foi realizada uma pesquisa que comprovou a boa aceitação dos alimentos biofortificados nas três escolas municipais de Itaguaí, onde eles foram inseridos e vêm sendo consumidos pelos alunos (clique aqui e relembre a matéria sobre o assunto). É esperado um crescimento da oferta de variedades biofortificadas no município, que segundo o analista de transferência de tecnologia da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Leandro Leão, terá na COOPAFIT um importante fornecedor desses alimentos. “Os cooperados acabam de oficializar a sua organização e, com isso, a responsabilidade cresce. Eles passarão a ter um papel importante frente à comunidade rural de Itaguaí. O suporte da Embrapa, em conjunto com o das outras instituições parceiras, principalmente a prefeitura, que possui uma área própria, onde também se plantam e colhem alimentos biofortificados, coloca a COOPAFIT com totais condições de fazer valer o seu potencial em produção e comercialização de cultivos agrícolas.”
De acordo com a prefeitura de Itaguaí, o projeto da cooperativa surgiu do programa “Alimento justo” da Odebrecht, com incentivo também da Marinha do Brasil e apoio da Vale, ICN e do Banco do Brasil, que realizou um levantamento em Itaguaí para identificar quem eram os agricultores locais. O objetivo do programa é incentivar a agricultura familiar, adquirindo os alimentos para serem utilizados pela própria empresa, em seus refeitórios.
A COOPAFIT tem sua sede localizada na Estrada do Mazomba, em Itaguaí-RJ.
O trabalho de biofortificação no Brasil é realizado pela Rede BioFORT, cuja líder é a pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti. Todos os esforços em ampliar a biofortificação visam o combate à fome oculta, que é o termo utilizado para designar a carência de micronutrientes no organismo de uma pessoa. Esse tipo de deficiência assola uma em cada três pessoas no mundo.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, 2013), 48% das crianças no mundo com menos de cinco anos de idade apresentam anemia (deficiência de ferro) e 30% possuem deficiência em vitamina A. No Brasil, os números também são altos, tendo 55% das crianças com menos de cinco anos de idade apresentando deficiência de ferro e 13% com deficiência em vitamina A. Essa ausência crucial de micronutrientes no organismo pode provocar uma evolução em sintomas como cegueira noturna, anemia e diarreia, levando até ao falecimento de indivíduos, principalmente crianças, frente a esse quadro de fome oculta.
Mais sobre a biofortificação
A biofortificação consiste em um processo de cruzamento de plantas da mesma espécie, gerando cultivares mais nutritivos. O processo também é conhecido como melhoramento genético convencional. No melhoramento genético convencional uma planta é cruzada com outra da mesma espécie, não ocorrendo incorporação de genes de outro organismo ao genoma da planta, sendo necessário a realização de repetidos cruzamentos até atingir o cultivar melhorado desejado. Somente na transgenia ou engenharia genética é que se incorporam genes de outro organismo no genoma da planta.
Mais sobre a Rede BioFORT
A Rede BioFORT é responsável por englobar todos os projetos de biofortificação de alimentos no Brasil, sendo atualmente coordenada pela Embrapa. Dentre suas parcerias, está a principal, feita com a instituição de pesquisa HarvestPlus, uma aliança de instituições de pesquisa que atuam na América Latina, África e Ásia com recursos financeiros da Fundação Bill e Melinda Gates, Banco Mundial e agências internacionais de desenvolvimento. A Rede BioFORT conta ainda com projetos financiados pela Embrapa, CNPq, e diversas fundações estaduais de suporte a pesquisa. A partir da utilização da técnica de melhoramento genético convencional, é selecionado e aumentado o conteúdo de micronutrientes dos seguintes cultivares: arroz, feijão, batata-doce, mandioca, milho, feijão-caupi, abóbora e trigo. Novas culturas são geradas contendo maiores teores de pró-vitamina A, ferro e zinco, fortalecendo assim o combate à deficiência de micronutrientes no organismo humano, a popular fome oculta, que dentre as doenças provocadas, estão a anemia e a cegueira noturna. A Rede BioFORT não trabalha com alimentos transgênicos.
Fonte: Embrapa/Rede BioFORT
◄ Leia outras notícias